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Chegou a Federação Portuguesa do Caminho de Santiago

16 mai, 2019 - 16:10 • Olímpia Mairos

Objetivo é promover, organizar e gerir os caminhos em território nacional que compõem a rota milenar, seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX.
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É oficialmente lançada esta sexta-feira, mas está a ser preparada há anos. Unindo 60 entidades, a Federação Portuguesa do Caminho de Santiago é formalizada amanhã em Vila Pouca de Aguiar para implementar uma estratégia e sinalética comum nas vias portuguesas de peregrinação a Santiago de Compostela.

Segundo a Câmara de Vila Pouca de Aguiar, grande impulsionadora desta iniciativa, trata-se de uma associação de “caráter cultural sem fins lucrativos, que terá sede neste concelho do distrito de Vila Real e vai exercer a sua ação em todo o território nacional”.

A federação surge para promover, divulgar, organizar e gerir os Caminhos de Santiago em território nacional, daí que os promotores se proponham delinear e implementar “uma estratégia comum em todo o país” que contempla também “sinalética igual” nas vias de peregrinação.

“Revitalizar e dinamizar as variantes do Caminho Português de Santiago como importantes vias de peregrinação a Santiago de Compostela, recuperando, preservando e promovendo também o património histórico-cultural e religioso associado ao caminho, a interculturalidade dos povos e impulsionando o desenvolvimento económico, social e ambiental das regiões atravessadas”, são também objetivos da federação.

Os Caminhos de Santiago atravessam Portugal de sul para norte, e são seguidos pelos peregrinos há séculos com destino à Catedral de Santiago de Compostela, em Espanha.

Para muitos, o caminho de Santiago de Compostela é considerado um roteiro místico, uma transformação interior, caminho de respostas; para outros, uma oportunidade de contacto com a natureza e a história. Há também quem o faça por desporto, pelo convívio com amigos, pela gastronomia ou simplesmente em peregrinação.

Atualmente, no nosso país estão identificados três percursos principais. O Caminho da Costa, que se inicia no Porto, atravessa o Minho e entra em Espanha por Valença; o Caminho Interior, que parte de Viseu e entra em Espanha por Vilarelho da Raia, em Chaves; o Caminho Central Português, o mais percorrido, que sai da Sé de Lisboa, passa por Tomar, Coimbra, Porto e segue, depois, para norte.

A sede da Federação Portuguesa do Caminho de Santiago vai ficar em Vila Pouca de Aguiar, o único concelho a nível nacional que tem o selo de itinerário cultural europeu.

O Caminho de Santiago é uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do Apóstolo Santiago o Maior. Desde então, pessoas das mais diversas procedências percorrem os Caminhos que conduzem à Catedral, onde se veneram as relíquias do Santo Apóstolo, dando origem a um fenómeno que se mantém e reforça de ano para ano.

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  • António Pinho
    20 mai, 2019 Póvoa de varzim 08:39
    Recentemente vimos o final da associação dos peregrinos de Fátima, por ter entrado em campo as autarquias.. agora autarcas transmontanos descobriram que existia uma coisa que se chamava caminho de santiago e que era utilizado por pessoas na sua maioria com algum poder econômica, que afinal quem anda a pé de mochila não é pé rapado. E, iluminados, há que associar um grupo de bem.intencionados, para que o caminho não caia nas mãos do.povo. bons nova de poiares, bela cidade, e principal ponto de passagem de peregrinos para santiago. Já não bastava Fátima no roteiro
  • Joaquim Hernâni Dias
    16 mai, 2019 Porto 22:16
    "O Caminho de Santiago é uma rota milenar seguida por milhões de peregrinos desde o início do século IX, quando foi descoberto o sepulcro do Apóstolo Santiago o Maior..." Descoberto o sepulcro???? Atente-se nas palavras de um ilustre Professor e Investigador Joseph-Maria Piel, in "Estudos de Linguística Histórica Galego-Portuguesa": "Parece evidente que um investigador de hoje (disse-o e escreveu no século XX) - já estamos no século XXI- dificilmente se conformará com essas lendas, por insinuantes e poéticas que fossem (ou sejam)... Está aberto o caminho para todo o fenómeno que não é racional ou desprovido de método científico...
  • Joaquim Hernâni Dias
    16 mai, 2019 Porto 21:46
    Um ilustre peregrino, homem de ciência e outrora Embaixador francês, escreveu uma magnífica obra, "Immortelle Randonnée..." onde podemos ler a páginas tantas o seguinte: "Com a experiência secular da peregrinação, os sinais estão colocados aqui e ali nos sítios simplesmente necessários...". Para quê dar forma turística a um percurso cuja essência é exactamente o contrário. Ainda de acordo com Jean-Christian Rufin, " A verdade é esta: o desencanto do mundo (diga-se da sociedade em que vivemos) cresce tanto, tanto ao longo do Caminho... Daí a vivência das emoções que emanam do mais fundo de cada um de nós, do fundo dos Tempos" A "bagunça" - ou como dizem os franceses , a "clochardisation", é um fenómeno que acontece sob o efeito do Caminho, susceptível de conferir a todos os peregrinos o pudor e ao mesmo tempo a dignidade. Quando se está no Caminho já não se é completamente um homem social. Esta podia ser a definição de "peregrino". O Estado tem riqueza disponível? Pois que a distribua com justiça. Que desperdiçar dinheiro desta maneira parece-me um despudor político-económico e um "atentado" à parte afetiva do ser humano - tirando-lhe mais e mais o que é natural e espontâneo... Sinais dos tempos.