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Hospital de Cascais nega "falseamento de quaisquer resultados clínicos"

14 mai, 2019 - 15:22 • Lusa

Grupo Lusíadas diz “repudiar” a ideia de falsear “resultados ou algoritmos de sistema de triagem” e garante que irá averiguar a veracidade dos factos denunciados.
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O Hospital de Cascais negou, esta terça-feira, "qualquer envolvimento no falseamento de quaisquer resultados clínicos ou de quaisquer algoritmos de sistema de triagem".

Em comunicado, o Conselho de Administração do Grupo Lusíadas (que detém a unidade hospitalar numa parceria público-privada) afirma que o Hospital de Cascais "não tem conhecimento de quaisquer denúncias efetuadas por quaisquer profissionais a quaisquer entidades judiciais ou extrajudiciais, nomeadamente ao seu conselho de administração".

Por outro lado, afirma que o "Hospital de Cascais repudia e nega formalmente qualquer envolvimento no falseamento de quaisquer resultados clínicos ou de quaisquer algoritmos de sistema de triagem".

Contudo, acrescenta, tendo em consideração que os factos relatados na reportagem da SIC, "a terem ocorrido, se referem a comportamentos individuais, o Grupo Lusíadas irá proceder à aferição da veracidade dos mesmos e, no caso de haver comportamentos inadequados, proceder à implementação das correspondentes ações corretivas".

A denúncia de alegadas manipulações foi feita pela SIC, numa reportagem emitida na segunda-feira à noite, em que um grupo de antigos e atuais profissionais do hospital acusa a administração de falsear resultados clínicos e algoritmos do sistema de triagem da urgência para aumentar as receitas que são pagas à parceria público-privada.

Atuais e ex-funcionários, ouvidos no âmbito da reportagem, denunciam que eram impelidos a aligeirar sintomas ou o caso de doentes, para que os algoritmos da triagem de Manchester (que atribui, através de cores, a prioridade dos doentes em urgência) dessem uma cor de pulseira verde em vez de amarela, por exemplo, para que os tempos máximos de espera não fossem ultrapassados.

No comunicado emitido nesta terça-feira, o hospital refere que "respeita a independência e idoneidade técnica dos profissionais de saúde envolvidos nos processos de triagem, de tratamento dos doentes e de codificação clínica" e explica que "os processos internos de triagem do Hospital de Cascais são auditados regularmente por equipas de auditoria internas certificadas e anualmente pelo Grupo Português de Triagem".

Segundo a administração do hospital, "o processo interno de codificação clínica do Hospital de Cascais é baseado nas melhores práticas e visa assegurar a melhor prestação de cuidados de saúde aos doentes, sendo executado por diferentes intervenientes médicos, dotados de total autonomia técnica e devidamente habilitados para o efeito".

O Grupo Lusíadas garante ainda que a atividade do hospital é auditada todos os anos pela Entidade Pública Contratante, reiterando o Conselho de Administração do Grupo Lusíadas "toda a confiança nos profissionais de saúde que diariamente prestam cuidados de saúde à população servida pelo Hospital de Cascais.

O incumprimento dos tempos de espera pode fazer o hospital incorrer em penalizações financeiras.

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  • Cidadao
    14 mai, 2019 Lisboa 17:09
    Não, iam dizer que "sim", num caso que pode dar cadeia e indemnizações milionárias, além da possível perda de parceria... Tem de se averiguar e ter cuidado para ver se as contas bancárias de quem investiga, não crescem inexplicavelmente ...