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Salários "imorais". Um eurodeputado recebe 8.757,70 euros brutos

11 mai, 2019 - 09:58 • Lusa

Acresce ainda um subsídio fixo de 320 euros/dia para cobrir despesas de alojamento e despesas conexas por cada dia que os deputados ao PE compareçam em reuniões oficiais.
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Os representantes portugueses ao Parlamento Europeu concordam que os salários dos eurodeputados são demasiado elevados quando comparados com o vencimento dos portugueses, defendendo uma redução do valor, que oscila entre os 15 e os 20 mil euros mensais.

“É evidente que estes salários são imorais. São imorais relativamente a Portugal. Não é concebível que haja estes vencimentos quando o salário mínimo em Portugal é de 600 euros. E para se aumentar uns cêntimos por dia é sempre o cabo dos trabalhos”, argumentou Miguel Viegas, que procura que o excedente entre o salário do PE e o que efetivamente aufere, equiparado ao de deputado à Assembleia da República, “reverta para a sociedade através de um conjunto de instrumentos, relacionados com a política interna do PCP”.

A opinião do eurodeputado comunista é partilhada por Marisa Matias, para quem “é impossível” olhar “para aquele que é o padrão salarial da grande maioria dos países europeus e achar que os salários dos eurodeputados não são elevados”.

“Os salários não são aquilo que muita gente diz, a não ser que essas pessoas fiquem com dinheiro que não lhes corresponde para uso pessoal. Até mesmo alguns colegas, que de forma muito pouco leal e muito pouco verdadeira, anunciam valores de 20 mil euros e coisas assim… seja como for, acho que 6.000 mil e tal euros líquidos por mês é um valor elevado. Obviamente, os custos de vida são muito mais elevados, mas conseguiríamos fazer um trabalho com dignidade, garantindo que conseguiríamos pagar as despesas em Portugal, em Estrasburgo e em Bruxelas, com um salário digno, mas mais baixo”, analisou a única representante do Bloco de Esquerda no PE.

O salário base de um eurodeputado é de 8.757,70 euros brutos (à data de julho de 2018), 6.824,85 euros depois de pagarem o imposto comunitário e contribuições para seguros. A esta verba acresce um subsídio fixo de 320 euros/dia para cobrir despesas de alojamento e despesas conexas por cada dia que os deputados ao PE compareçam em reuniões oficiais, em Bruxelas ou Estrasburgo, desde que assinem um registo para atestar a sua presença.

Existe ainda uma verba máxima mensal de 4.513 euros para as despesas resultantes das atividades parlamentares dos deputados, como os custos de arrendamento e gestão do gabinete do deputado, despesas de telefone e assinaturas, atividades de representação, computadores, organização de conferências e exposições, recebendo ainda os eurodeputados o reembolso dos voos a Portugal, mediante a apresentação dos respetivos recibos, até ao montante correspondente à tarifa aérea em classe executiva (ou similar), à tarifa de comboio em primeira classe ou a 0,53 euros por quilómetro, caso a viagem seja efetuada em automóvel privado (limitado a 1.000 quilómetros).

“Não se pode ganhar 30 vezes mais, ou 20 vezes mais o salário mínimo para representar pessoas que recebem o salário mínimo. Devia haver alguma moderação na forma como se remunera as funções políticas. E sobretudo deveria haver mais pudor, na forma como se isentam de impostos essas remunerações”, defendeu António Marinho e Pinto, que vincou que “uma pessoa em Portugal que receba mais de 4,50 euros de subsídio de alimentação tem de o declarar para efeitos de IRS”, mas os eurodeputados recebem “cerca de 10, 12 mil euros” totalmente isento de impostos.

Para o eurodeputado do Partido Democrático Republicano, é tão nefasto para o trabalho político ganhar-se de mais como ganhar-se de menos. “E a prova está aí nas listas que os grandes partidos fazem. Nos partidos de base clientelar, como é o Partido Socialista e como é o PSD, os lugares do PE não são para aqueles que melhor possam desempenhar a função parlamentar, mas para aqueles que mais fiéis foram às direções dos partidos e os premeiam com um lugar bem remunerado”, acusou.

A ideia é, no entanto, desmistificada pelo socialista Francisco Assis que, apesar de reconhecer que os salários são elevados quando comparados com o dos portugueses, diz não conhecer ninguém, “da direita à esquerda”, que esteja no PE por causa da remuneração.

“As pessoas vêm para aqui porque este é um local de grande realização política, até pelas próprias condições de trabalho. Têm que ver com o facto de, por exemplo, termos possibilidade de contratar assistentes diretamente, o que em Portugal não existe”, apontou aquele que foi o cabeça de lista pelo PS nas últimas eleições europeias, em 2014.

Segundo Marisa Matias, que canaliza parte do seu salário para ajudar “projetos que são importantes”, um salário na ordem dos 4.000 euros permitiria que os eurodeputados pudessem desempenhar as suas funções “com dignidade, mas sem excessos”, tendo em conta aquele que é o custo de vida em Bruxelas e os encargos no país de origem.

Comentários
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  • Claudomiro Martins Ribeiro
    13 mai, 2019 Rio Verde 15:11
    “As pessoas vêm para aqui porque este é um local de grande realização política, até pelas próprias condições de trabalho. Têm que ver com o facto de, por exemplo, termos possibilidade de contratar assistentes diretamente, o que em Portugal não existe” Sendo assim não teriam problema algum, ninguém vai se opor, se o valor da remuneração for menor.
  • Helena Coelho
    13 mai, 2019 Peenafiel 09:59
    Depois de ler esta notícia, finalmente, percebi qual a intenção de Passos Coelho, quando aconselhou os portugueses a saírem da sua zona de conforto e emigrarem, pois, de facto, com a proposta de ordenados como eurodeputados...ou não era bem a isto que ele se queria referir...com estas despesas tofas que temos de pagar aos parasitas dos eurodeputados nao admira que haja tanta crise para o comum dos cidadãos europeus.. tenham vergonha!
  • ze
    13 mai, 2019 algures 08:45
    Não haõ-de eles lutarem para continuarem com os tachos!.......
  • Palmira Almeida
    12 mai, 2019 S. Domingos de Rana. 16:39
    Só é demasiada alto, se não fizerem o máximo para o merecer.
  • Catus
    12 mai, 2019 lisboa 15:29
    Isto é u nâo assunto e basta comparar com o salario do presidente da atual assembleia da republica .É ridiculo e miserabilista estes assuntos agendados pelas extremas esquerdas e q arrastam os outros partidos q não sabem dar a volta e migrarem para o q podem fazer por Portugal na europa. na vez de dsicutitrem salários.l.As esquerdas são anti-bruxelas e portanto nada sabem como beneficiar Portugal no atual contexto europeu fazendo lembrar a geringonça qdo assmiu q o saque era a politica q sabiam fazer,aumentar produção é algo q parecem nada saber.Há alguém do BE e PCP q estejam a governar ou ser presidente de grandes empresas portuguesas ou internacionais???falta-lhes sentido e competências de governança?Quem confrateniza com venuzuela,cuba,coreia do norte etc em festas nacionais está a defender um País rico ou pobre??? é preciso q os eleitores qdo votam querem q Portugal seja um país POBRE ou RICO e DESENVOLVIDO.Qerem carteira cheia ou vazia.Qerem emprego c salários altos ou desemprego e salários baixos?Querem País acolhedor dos investidores liberais ou um País onde ninguém de VALOR qer investir?Os eleitores têm q pensar mais em crescimento da economia do q em partidarite negativa q impede crescimento de PORTGAL.
  • João Lopes
    11 mai, 2019 18:18
    Seria útil que se falasse também de coisas muito importantes: Portugal tem neste momento «a terceira dívida mais alta da Europa»: [Expresso 4-5-2019, página 2, João Vieira Pinto, Diretor].
  • 11 mai, 2019 11:02
    Xiica"tanto dinheiro so pra estar a ladrar!