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CEP pede maior intervenção dos católicos para ajudar casais a superar crises

08 mai, 2019 - 12:17 • Ecclesia

Carta Pastoral "A alegria do amor no matrimónio cristão" remete orientações sobre divorciados recasados para bispos diocesanos.

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A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou esta quarta-feira uma nova carta pastoral, dedicada ao matrimónio e à família, na qual apela a uma maior intervenção das comunidades católicas para ajudar os casais a superar eventuais crises.

“As paróquias, os movimentos e outras instituições da Igreja e casais mais amadurecidos são chamados a apoiar os casais cristãos, especialmente quando surgem crises. Através do seu testemunho experiente e, quando necessário, de ajudas especializadas é possível recordar que o casamento é uma tarefa a dois que implica ultrapassar obstáculos, e que uma crise pode ser uma oportunidade para recomeçar e renovar a mútua entrega e fidelidade”, refere o documento, aprovado na última Assembleia Plenária da CEP, em Fátima.

O texto, com orientações para a preparação do matrimónio e acompanhamento dos casais, apela à criação de “ferramentas concretas de superação de conflitos”, sublinhando que estes podem, se “bem vividos”, contribuir para “uma maior proximidade e intimidade no casal”.

“Comunicação e intimidade estão fortemente interligadas. E há casais com dificuldades na sua relação, porque não conseguem comunicar. Sem diálogo, sorrisos, expressões de carinho ou contacto físico, não há troca de sentimentos, não se transmite ao cônjuge o que realmente se deseja, não se discutem assuntos nem se resolvem problemas e surgem comentários a rebaixar o outro”, pode ler-se.

A Carta Pastoral "A alegria do amor no matrimónio cristão" aborda a situação das famílias numa “sociedade em mudança”, com maior número de separações e receio dos mais novos em relação ao casamento, optando por “viver juntos” ou em união de facto, além de “famílias monoparentais, famílias reconstituídas, comunidades de vida homossexuais ou existências individuais com relações pontuais”.

Os bispos falam numa época em que “o sentimento e o imediatismo” surgem como critérios de vida, apresentando o matrimónio cristão como um “projeto comum” que se realiza em várias etapas, numa “relação estável e permanente”, que exige o compromisso das duas partes.

O texto cita por diversas vezes a exortação apostólica "Amoris Laetitia" (A Alegria do Amor), que o Papa Francisco escreveu após as duas assembleias do Sínodo dos Bispos dedicadas à família (2014 e 2015).

A nova carta pastoral confirma, agora, que o tratamento destas situações deve seguir as orientações da Exortação apostólica do Papa Francisco e de cada bispo diocesano.

A CEP convida os casais católicos a assumir, em consciência, um compromisso “irrevogável”, na “complementaridade masculino-feminino”, realçando a importância de uma preparação para o casamento “séria e profunda”, em vez de apenas algo “restringido a um momento específico da vida”.

Os bispos desejam que as comunidades católicas acompanhem os casais nos seus primeiros anos de vida em comum, uma “descida à vida real”.

O documento destaca ainda a importância da oração e o contributo da espiritualidade conjugal e familiar.

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