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Condutores fazem fila para abastecer com receio de ficar sem combustível

16 abr, 2019 - 20:46 • redação com Lusa

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou na madrugada de segunda-feira, foi convocada pelo SNMMP, por "tempo indeterminado", para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, tendo sido impugnados os serviços mínimos definidos pelo Governo.
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Corrida aos combustíveis gera filas na Grande Lisboa (Joana Gonçalves e Ricardo Fortunato)
Corrida aos combustíveis gera filas na Grande Lisboa (Joana Gonçalves e Ricardo Fortunato)

A greve dos camionistas que transportam materiais perigosos está a provocar uma forte afluência às bombas de gasolina com os condutores a recearem ficar sem combustível, segundo constatou a Lusa junto de alguns postos de abastecimento em Lisboa.

Avisadas por uma vizinha da greve e do risco de os postos de abastecimento de combustível ficarem com os depósitos vazios, Francisca Marques e a mãe fizeram hoje várias tentativas para atestar o depósito do carro. "Já fomos a quatro bombas que nos disseram que não tinham gasóleo, só gasolina", referiu à Lusa.

A quinta tentativa para abastecer o carro foi no posto da Rede Energia, do Campo Grande, em Lisboa, com Francisca a atravessar a longa fila de carros à sua frente para se certificar que, desta vez, estavam no lugar certo e de que haveria combustível quando chegasse a sua vez.

Fredy Rocha, um dos funcionários deste posto de abastecimento, nem estava a par da existência da greve quando entrou ao serviço às 15:30 e se deparou com uma fila de carros bastante fora do que é habitual.

"Estive de folga nestes dois dias e quando saí de casa recebi uma chamada dos colegas a avisar que havia greve e que por esse motivo estava complicado. Quando cheguei já estava esta multidão à espera", disse à Lusa.

Habitualmente, os depósitos do posto são reabastecidos a cada dois dias, mas tendo em conta a forte afluência de carros, não era certo até quando iriam conseguir continuar a dar resposta aos pedidos.

Para Leonardo Meneses, as notícias da greve e os receios de que os postos de abastecimento fiquem ‘secos’ apanhou-o já com o carro na reserva. Só à terceira tentativa encontrou uma bomba ainda com gasóleo para atestar, o que conseguiu fazer após uma espera de cerca de 20 minutos numa fila.

À sua frente, Aguinaldo Alves preferiu prevenir em vez de remediar e decidiu meter-se na fila para encher o depósito. "Pelo que vamos ouvindo, de que o combustível vai faltar, é melhor precaver", referiu.

A incerteza foi também o que levou Márcia Alves a passar parte da tarde à espera para abastecer o depósito. "Não sei quanto tempo é que esta greve vai durar e achei melhor prevenir e pôr já combustível para não arriscar a ficar com o depósito vazio", afirmou.

Pela cidade de Lisboa várias bombas foram ficando sem combustível, sobretudo sem gasóleo, à medida que a tarde foi avançando.

Num comunicado enviado à Lusa, a Prio estimou que até ao final do dia de hoje quase metade dos seus postos esgotem os seus depósitos de gasóleo ou gasolina, e que o mesmo possa acontecer nos das restantes marcas na quinta-feira.

No posto que esta marca tem junto à Avenida de Roma, em Lisboa, dois 'pinos' colocados à entrada dos corredores que separam as quatro bombas disponíveis avisavam os condutores de que não poderiam abastecer.

A greve nacional dos motoristas de matérias perigosas, que começou às 00:00 de segunda-feira, foi convocada pelo SNMMP, por tempo indeterminado, para reivindicar o reconhecimento da categoria profissional específica, tendo sido impugnados os serviços mínimos definidos pelo Governo.

A ANTRAM - Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias já rejeitou os fundamentos da greve, adiantando que, “contrariamente ao propugnado pelo SNMMP, não é verdade que os motoristas afetos a este tipo de transporte se encontrem, em termos salariais, balizados pelo salário mínimo nacional", mas diz que aceita negociar com o sindicato, desde que os serviços mínimos decretados pelo Governo sejam respeitados.

O Governo aprovou hoje uma resolução do Conselho de Ministros que reconhece a necessidade de requisição civil no caso da greve dos motoristas de matérias perigosas, que começou na segunda-feira.

A presidência do Conselho de Ministros acrescenta que esta decisão foi tomada “depois de se ter constatado que no dia 15 de abril não foram assegurados os serviços mínimos”, fixados pelos ministros do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e do Ambiente e da Transição Energética.

A requisição civil produz efeitos até ao dia 15 de maio.

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