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Crónica

D. Maurílio Gouveia. Um grande homem de fé, com o “cheiro de ovelhas”

19 mar, 2019 - 15:30 • Aura Miguel

Encarregado da difícil missão de ministrar a um Alentejo muito afastado da Igreja, não se cansava de ir à procura dos seus fiéis, mesmo nos montes mais isolados, e cantava, com voz doce em honra do “seu” Alentejo.

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Nasceu e morreu na Madeira, mas o seu coração era alentejano.

Quando em 1981 João Paulo II o nomeou arcebispo de Évora, D. Maurílio de Gouveia dedicou-se de alma e coração aquela gente. Aventurou-se a renovar a Igreja em terras comunistas, imitando o estilo do Papa Wojtyla, com visitas pastorais de vários dias na vasta extensão da arquidiocese - visitas que incluíam escolas, lares, hospitais e mesmo cooperativas agrícolas, para escândalo dos antigos latifundiários.

Contava que, no início, os homens não entravam na Igreja e ficavam à porta, desconfiados. Mas ele nunca desistiu e passou a vir mais cedo para conversar com eles, antes da missa. Alguns converteram-se. Eu própria testemunhei a riqueza humana destas visitas, que se prolongavam pela noite dentro, com procissões em honra de Nossa Senhora, visitas a idosos perdidos em montes isolados e contínuas expressões da hospitalidade do povo alentejano. Um autêntico pastor “com cheiro de ovelhas”, segundo a expressão do Papa Francisco.

Várias vezes o ouvi cantar, com voz doce, em honra do seu Alentejo. Grande devoto a Nossa Senhora, conseguiu, pela primeira vez na história de Portugal, que um Papa visitasse Vila Viçosa em 1982.

Homem atento aos desafios da Igreja no mundo, foi responsável pelas comunicações sociais da Igreja e assumiu várias responsabilidades na conferência episcopal. Ouvinte atento da Renascença, dividia o seu tempo entre Vila Viçosa e o Funchal. Homem de oração, deixa vários textos de reflexão e um livrinho de meditações em jeito de “preparação para o grande encontro de amor definitivo”, como gostava de sublinhar aos mais íntimos.

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