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​Gaita-de-foles é a Rainha no Intercéltico de Sendim

08 mar, 2019 - 10:51 • Olímpia Mairos

O cartaz da 20.ª edição está fechado e faz viajar até ao Planalto Mirandês grandes nomes da música celta.
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A gaita-de-foles é a rainha do Festival Intercéltico de Sendim (FIS), marcado para os dias 1, 2 e 3 de agosto. “A preocupação para esta edição foi colocar no centro a gaita-de-foles, daí que venham ao festival grandes mestres deste instrumento musical”, conta o diretor do FIS, Mário Correia.

Da Patagónia, para abrir o festival, vêm os Melkisedeck, grupo fascinado pela herança céltico-britânica que noutros tempos emigrou para terras argentinas. O espetáculo está marcado para o palco da Câmara Municipal, em Miranda do Douro.

Já no dia 2, em Sendim, pelo palco Fundação Inatel vão passar Daniel Loddo e La Talvera, da Occitania, Kolme Katu, do País Basco e Paco Diéz e La Bazanca de Castlha e Léon.

No sábado, dia 3, a música acontece em três palcos diferentes. E há muito por onde escolher.

Na casa da cultura atuam Jorge Lira e Paco Díez, que recriarão repertórios do romanceiro ibérico na sanfona e na guitarra, e Carlos Zíngaro e Manuel Guimarães, que vão improvisar sobre temas tradicionais transmontanos em violino e piano.

Pelo mesmo espaço vai passar ainda o projeto Adélia, de Ana Correia e Tânia Pires, numa evocação/homenagem a Adélia Garcia (1933-2016), que ficou conhecida pela qualidade da sua voz. A cantadeira de Caçarelhos, em Vimioso, ganhou popularidade com as gravações feitas pelo projeto de recolha do Centro de Música Tradicional “Sons da Terra” no âmbito do programa “A Música Portuguesa a Gostar de Ela Própria”, de Tiago Pereira.

Já o palco da Praça estará por conta dos Melkisedeck, da Argentina.

No Palco Fundação Inatel estarão os Xuacu Amieva e os Dobra das Astúrias, os Castijazz com Carlos Solto e os Folk Quintet de Castilha e Léon e ainda os Fourth Moon, da Escócia.

“Há realmente uma componente muito festiva, com grupos novos, grupos emergentes e grupos consagrados. É um dos programas mais consistentes dos últimos anos”, observa Mário Correia, acrescentando que “nesta edição é partilhada e reivindicada a centralidade musical da Península Ibérica, fundo cultural comum a Portugal e Espanha e, ao mesmo tempo, 'o celtismo' da emigração”.

O espaço do festival vai manter-se no mesmo recinto da edição anterior e, este ano, será dotado de cadeiras para que as pessoas possam desfrutar da música.

“Estas são músicas para ‘ouver’, ou seja, para ouvir e ver e algum conforto é agradável. E há outro aspeto que é importante: regressamos ao figurino que é o dos três concertos por noite. Vai ser uma dose reforçada”, frisa o diretor do FIS.

O festival, que reúne todos os anos algumas das bandas/artistas mais conceituados do “mundo celta", está a celebrar 20 anos de existência e assume-se num “momento de viragem”.

“Vamos, mercê de um apoio que surgiu da parte da Fundação Inatel, que se vai manter para as próximas edições, privilegiar a rua. Teremos vários espaços onde vão acontecer concertos e recitais, todos gratuitos”, conta Mário Correia.

A ideia, segundo o diretor do FIS, “é criar várias ofertas de duos, trios, de pequenos formatos, em vários espaços, envolvendo mais a população e os residentes”.

Pelas ruas de Miranda do Douro e de Sendim desfilarão gaiteiros mirandeses “com as mais expressivas paisagens sonoras das terras transmontanas”, acrescenta Mário Correia.

Prometidas estão, também, oficinas das gaitas e danças mirandesas, conferências, apresentação de livros, caminhadas e as celebrações intercélticas em vários espaços culturais e gastronómicos que se espalham pela vila transmontana.

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