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Mais de um século depois, uma pantera negra voltou a ser fotografada em África

13 fev, 2019 - 15:56 • Tiago Palma

O feito coube ao fotógrafo britânico Will Burrard-Lucas, que captou o animal no Laikipia Wilderness Camp, no Quénia. "Nenhum animal está envolto em tanto mistério, nenhum animal é tão indescritível e não há animal mais bonito", garante.
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Pela raridade enquanto espécie – de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, a mesma encontra-se em “perigo crítico de extinção” –, ou somente pela raridade com que é avistada por humanos, a pantera negra (nome atribuído a qualquer grande felino com pelugem desta cor) tornou-se quase um animal mitológico.

Sabe-se que cerca de 11% de todos os leopardos (e jaguares) adquirem esta coloração devido a uma mutação genética denominada melanismo (o contrário de albinismo), que ocorre quando um determinado gene sofre uma mutação que leva à produção excessiva de melanina no animal.

A última vez, contudo, que um leopardo negro foi fotografado foi já no longínquo ano de 1909, perto de Addis Ababa, na Etiópia.

De lá para cá, e embora houvesse registo de avistamentos em África, nenhum voltou a ser captado. Até agora. Entre 2017 e 2018, o fotógrafo britânico Will Burrard-Lucas captou, à noite – é sobretudo à noite que este caça, sendo um predador que se oculta totalmente na penumbra –, um leopardo preto (uma fêmea, ainda jovem) em Laikipia Wilderness Camp, no Quénia.

Há muito que Burrard-Lucas procurava esta fotografia rara. Sem sucesso. Certa noite, e depois de, uma vez mais, ter instalado uma parafernália de máquinas fotográficas, ocultas, armadas com sensores de movimento, espantou-se com o que conseguira captar.

"À medida que fui passando pelas imagens no visor da câmara, parei e olhei para a fotografia seguinte com incompreensão. Era um par de olhos cercado por escuridão pintada, um leopardo preto! Não consegui acreditar nisso e demorei vários dias a aceitar que tinha cumprido o meu sonho. Nenhum animal está envolto em tanto mistério, nenhum animal é tão indescritível e não há animal mais bonito", escreveu o britânico no seu blog.

"Tanto quanto sei, estas são as primeiras fotografias de alta qualidade de sempre de um leopardo melanístico em estado selvagem em África. Ninguém que eu conheça viu um em estado selvagem – nem eu pensei ver um nunca", acalentava o fotógrafo. A certeza chegou-lhe por parte de Nicholas Pilford, cientista do instituto de conservação do Jardim Zoológico de San Diego, nos EUA, que num artigo publicado no African Journal of Ecology confirmou o feito, um século depois.

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