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Cristas pede penalização do PS e Governo das esquerdas nas europeias

10 fev, 2019 - 18:41

"Há uma alternativa à maioria de esquerda dominante em Portugal", afirma líder do CDS.
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A presidente do CDS-PP, Assunção Cristas, encerrou este domingo a convenção europeia do partido, em Lisboa, pedindo aos eleitores que penalizem o PS e aproveitem para mostrar que "há alternativa à maioria dominante de esquerda".

Depois de lembrar que as europeias de 26 de maio são as primeiras eleições depois da formação do Governo das "esquerdas unidas", do PS, Cristas pediu uma dupla mobilização dos apoiantes contra a abstenção e contra o executivo de António Costa.

"É preciso votar nestas eleições", afirmou, "pelo que significam por si", mas também "pela força de mostrar que há outra visão e que há uma alternativa à maioria de esquerda dominante em Portugal", afirmou no final de um encontro dedicado às europeias, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, um arranque da pré-campanha eleitoral.

Assunção Cristas pediu aos militantes e apoiantes que recordem serem estas "as primeiras eleições nacionais depois do Governo das esquerdas unidas" e que "vale a pena lembrar" isso mesmo "àqueles que não se conformam com as esquerdas unidas, que não se reveem em António Costa, que não acham que ele seja um bom primeiro-ministro".

Na convenção europeia do CDS foram apresentadas as linhas programáticas do CDS às europeias, em que se rejeita "qualquer alteração à regra de unanimidade na votação de questões fiscais a nível europeu" e se defende que a "segurança dos cidadãos é uma prioridade".

"Acreditamos que o espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos, mas exigimos respeito pelas nossas leis, valores e costumes", lê-se no texto.

Antes, desde cerca das 15h00, cada um dos candidatos do partido às europeias conversaram com convidados, todos independentes, sobre temas como a dimensão social da Europa (Isabel Jonet), Agricultura (Manuel Grave), política externa (João Taborda da Gama) e Mar (Manuel Tarré).

CDS contra impostos europeus e pela manutenção do veto

A presidente do CDS e o cabeça-de-lista às europeias defenderam este domingo, a duas vozes, a manutenção do veto de Portugal a novos impostos europeus e lançaram um forte ataque ao PS e ao Governo.

Primeiro Nuno Melo, mais duro e incisivo no discurso, e depois Assunção Cristas recusaram a hipótese, que o PS e António Costa dizem admitir, de abandonar a regra da unanimidade na política fiscal na União Europeia, repetindo argumentos já usados no debate quinzenal com o primeiro-ministro, no parlamento.

"Não abrimos mão do nosso direito de veto" e "não aceitamos que outros ponham impostos nas nossas costas", afirmou Cristas, no encerramento da convenção europeia.

E tentando traçar diferenças para os socialistas, afirmou que se "o PS reclama a defesa da Europa em Portugal", então "o CDS reclama a defesa de Portugal na Europa".

O eurodeputado Nuno Melo, que volta a ser cabeça-de-lista do CDS nas eleições de maio, também recusou "mais impostos", sejam eles europeus ou nacionais, declarando, pelos centristas: "Estamos cansados dos impostos".

E avisou, já em tom de comício, que, por ele, "esta capacidade soberana do Estado", de aprovar impostos, "não está à venda em Bruxelas", e ironizou: "Qualquer dia, respiramos impostos".

Nuno Melo respondeu ainda aos argumentos de Costa, segundo os quais esta tributação, sobre grandes empresas da área digital, a ser criada, não teria repercussões no contribuinte português, dado que esse é dinheiro que não é pago nos países nem na União Europeia.

O eurodeputado centrista socorreu-se de uma frase de Margaret Thatcher, a ex-primeiro-ministra britânica, para dizer que, "em impostos não adianta dizer que é outra pessoa que os vai pagar". Essas empresas, argumentou, irão sempre repercutir "quem compra", aos clientes.

Apontando a Costa e à política europeia do Governo, Melo acusou-o de aceitar acabar com a regra da unanimidade na questão fiscal, e deu um exemplo: "Se 16 países lançarem impostos sobre Portugal, para o dr. António Costa é normal, não vai dizer não".

No seu discurso, de quase 50 minutos, Nuno Melo definiu os seus adversários: o PS, a abstenção e as esquerdas.

Ao "aparentemente candidato" do PS às europeias, o ministro do Planeamento, Pedro Marques, rotulou-o de "ministro do desinvestimento", associando-o também ao Governo de José Sócrates e ao "grupo de pessoas que levou o país à falência" e estão hoje no executivo de António Costa.

"Foi ministro dos PEC até à bancarrota final e hoje é o ministro do desinvestimento", afirmou, ironizando com os resultados que atribui ao executivo: "Portugal está melhor, não investe, cativa".

Tal como Cristas fez minutos mais tarde, Nuno Melo fez um apelo à participação nas eleições de maio, e respondeu ao incómodo, como definiu, do PSD e de Paulo Rangel, o cabeça de lista social-democrata às europeias, e traçou uma diferença. Garantiu que um voto no seu partido, seja nas europeias como nas legislativas, em outubro, nunca "servirá para validar este governo socialista".

O CDS, exemplificou, "não se sentaria à mesa" com o Governo, como fez o PSD liderado por Rui Rio, por exemplo, sobre a descentralização que parece agora que as "autarquias até não querem". E, continuando a criticar indiretamente o PSD e Rui Rio, elogiou a liderança de Assunção Cristas à frente dos centristas para afirmar: "Se não fosse o CDS, a oposição em Portugal seria poucochinha".

As eleições europeias realizam-se, em Portugal, em 26 de maio.

[notícia atualizada às 20h19]

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  • Hugo Jordão
    10 fev, 2019 Águeda 21:07
    Já agora porquê? Para mim o governo tem feito bom trabalho.