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Venezuela

Guaidó apela ao apoio dos militares e garante que manifestações vão continuar "até haver eleições livres”

02 fev, 2019 - 17:22 • Tiago Palma com agências

Ao mesmo tempo que manifestantes da oposição se encontram em Las Mercedes, noutro ponto de Caracas, na Avenida Simón Bolívar, encontram-se apoiantes de Maduro para assinalar os 20 anos da tomada de posse de Hugo Chávez.
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O Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó, convocou para este sábado, dia em que se assinala o 20.º aniversário da Revolução Bolivariana, uma grande manifestação, em Caracas e “em redor do mundo”, para exigir eleições livres a Nicolás Maduro.

Guaidó, de 35 anos, líder da oposição (Vontade Popular) que se autoproclamou Presidente interino na semana passada, já discursou em Las Mercedes, bairro da capital venezuelana onde foi recebido por milhares de manifestantes com gritos de “Presidente! Presidente! Presidente!”, e começou por dizer que Maduro “não protege nada nem ninguém”, apelando aos militares venezuelanos que o apoiem – isto no dia em que Francisco Rodríguez, general da Força Aérea, declarou o seu apoio a Juan Guaidó e garantiu que “90% dos militares não está com o ditador”, está com o povo venezuelano, “que já sofreu demais”.

“Não devem apenas ficar do lado da Constituição, soldados da pátria”, lembrou Guaidó, pedindo aos militares, “a cada soldado, cada agente de segurança”, que que não disparem contra os venezuelanos. “Digam que estarão ao lado do povo da Venezuela”, apelou.

Ao mesmo tempo que apelava ao apoio militar, Juan Guaidó garante que não se sentirá intimidado pelos que se mantiverem fieis a Nicolás Maduro.

Recorde-se que Guaidó denunciou esta semana tentativas de intimidar a sua família, apontando responsabilidades a Maduro. Segundo Guaidó, homens identificados como pertencendo à Força de Ação Especial da Polícia Nacional Bolivariana (FAES) invadiram a sua casa. “Senhores do FAES, não intimidaram a minha família nem intimidaram a Venezuela”, disse, garantindo que, apesar de tudo, “a nossa mão continua estendida a todos vocês”.

O comandante da polícia venezuelana, Carlos Alfredo Pérez Ampueda, rejeitou entretanto a denúncia de Guaidó, garantindo que o político estava “totalmente errado".

Guiadó prometeu ainda, no final do seu discurso desta tarde, que os manifestantes desta que o Presidente interino da Venezuela considera ser “a maior marcha da história da Venezuela” vão manter-se nas ruas até conseguir “o fim da usurpação, o governo de transição e as eleições livres”.

O líder da oposição anunciou nova manifestação para o dia 12 de fevereiro.

Manifestações em Caracas. “Nasci numa democracia e vou morrer numa democracia”
Manifestações em Caracas. “Nasci numa democracia e vou morrer numa democracia”

Em Portugal estão convocadas manifestações para Lisboa, Funchal, Aveiro, Ponte da Barca, Porto e Faro.

À crise política na Venezuela somou-se uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas. Na Venezuela residem cerca de 300 mil portugueses ou lusodescendentes.

Ao mesmo tempo que manifestantes da oposição se encontram em Las Mercedes, noutro ponto de Caracas, na Avenida Simón Bolívar, encontram-se apoiantes de Maduro para assinalar os 20 anos da tomada de posse de Hugo Chávez.

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