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Moradores do Bairro da Jamaica dizem que ação da polícia “não foi racista”

24 jan, 2019 - 21:16 • João Carlos Malta

Líder da associação de moradores, que estava presente no momento dos confrontos, diz à Renascença que apenas houve “excesso de uso da força” dos agentes - foram recebidos à pedrada e reagiram, explica.
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Dirce Noronha, presidente da Associação de Moradores do Bairro da Jamaica, disse à Renascença esta quinta-feira que os confrontos do último fim-de-semana naquele bairro “nada têm a ver com o racismo”, mas confirma que “houve uso excessivo de poder por parte dos policiais”.

A PSP deteve um suspeito depois do incidente de domingo e um dos agentes da PSP teve de ser assistido no Hospital Garcia de Orta, em Almada.

Dirce afasta de todo a possibilidade de os agentes da esquadra da Cruz de Pau, Seixal, terem atuado motivados pela cor da pele. “Eles são polícias, têm regras de conduta, mas são seres humanos. Houve agressões por parte das pessoas e eles reagiram”, reconhece.

A agressão em causa, explica, baseou-se no “arremesso de pedras” dos moradores à polícia, ação à qual os agentes reagiram.

Apesar disso, Dirce não deixa de criticar o uso excessivo de força pelas autoridades. “Até bateram nos pais. Mas não posso pegar nisso e falar de um ato racista. Pode ser o calor do momento. Foram agredidos e agrediram. Dizer que isso foi um ato racial estou contra”, insiste.

Não participam em manifestações

Para sexta-feira está marcada uma manifestação em frente à Câmara do Seixal, mas a Associação de Moradores do Bairro da Jamaica demarca-se da iniciativa.

Dirce também diz que o que se passou na Avenida da Liberdade na segunda-feira, um dia depois dos confrontos no seu bairro, nada tem a ver com os moradores do bairro do Seixal. Esses, afirma, “estão fartos do uso do nome do bairro” para justificar atos com os quais não concordam.

“Não foram as pessoas do bairro da Jamaica que marcaram esta manifestação, a família com quem se deu os acontecimentos também já mostrou desagrado e não participará”, explica Dirce, justificando que o evento apenas “vai gerar mais discordância”.

Dirce diz que ela e os moradores do bairro estão muito tristes com a onda de violência que brotou com os eventos de domingo.

“Estamos mesmo contra toda esta violência, e estamos tristes. Está lá sempre o nosso nome, bairro da Jamaica, bairro da Jamaica. A maioria das pessoas aqui são pacificas”, salienta.

A presidente da Associação de Moradores do Bairro da Jamaica teme que estes eventos prejudiquem o realojamento dos moradores do bairro, um processo que começou há um mês e que terminará em 2022, num investimento global de 15 milhões de euros.

“As pessoas pensam assim: 'Estamos a ajudar para dar uma casa e ainda nos chamam de racistas e tratam mal'”, explica.

Dirce termina com um apelo à serenidade. “Não podemos generalizar os comportamentos. Não é por causa de uma situação isolada que podemos chamar racistas.”


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  • E Goncalves
    25 jan, 2019 Lisboa 22:15
    Tenho dificuldade de compreender as declarações desta senhora e nem sei por onde comecar. Primeiro com certeza tem problemas de inferioridade por que vão ser realojados devem obediência e subserviência. Como se a maioria não trabalhasse e pagasse impostos. O papel da policia ah semelhaca dos bombeiros eh controlar e eliminar um potencial fogo e nao atirar mais gasoleo e provocar um incendio ainda maior. Se nao podemos generalizar uma situação, como e que os brancos são os primeiros a nos conotar ( todos nos negros) como arruaceiros e imigrantes ( quando parte dos residentes neste bairro provavelmente já nasceu em Portugal ou detêm a nacionalidade portugueses. E a primeira reaccao da maioria branca eh se acham que não são bem tratados voltem para a vossa terra ou seja independentemente da forma como estamos a ser tratados nao temosvdireito a reclamar por um tratamento justo . Eh pela forma como os imigrantes sao tratados que Portugal eh e continuara a ser um pais atrasado. Apesar da sua longa historia Portugal ainda tem um longo caminho a percorrer no que ah multiculturalidade diz respeito
  • Daniel
    25 jan, 2019 Lisboa 17:57
    Não é o primeiro testemunho que prova que a polícia foi apedrejada mas partilhar tais notícias em grupos no facebook acaba sempre apagado. Estes moradores precisam se unir mais com os nacionalistas para denunciar a tentativa de instigar ódio entre as minorias e a maioria. Isso acalmaria todo o mundo. Sem isso vamos diretos á guerra civil como está acontecendo por todo o lado...é o objetivo dos globalistas
  • Armando Cardoso
    25 jan, 2019 03:45
    Penso ser a primeira vez que vejo uma parte beligerante a dar razão à outra. Não foi racismo! Muito bem e não aprova o aproveitamento de contágio. Força exagerada da polícia! Para não o ser, a polícia apenas podia mandar uma pedra a quem lhe mandou uma, seria? Dar uma bofetada a quem lha deu também. Se assim fosse, ainda agora estavam lá à pedrada e à bofetada uns com os outros. A missão da polícia é estabelecer a ordem pública utilizando tudo o que for necessário. Foi o que fizeram. Para conter arruaceiros, nunca deve haver limites. A polícia está de parabéns.
  • Filipe
    24 jan, 2019 évora 22:11
    O Presidente da Câmara devia mudar a sua residência fiscal e permanente para esse monte de tijolos , como é possível ? Acabaram com as barracas para fazerem estas alegadas casas ? Montanhas de euros esbanjados pelo FEDER até 2020 , cerca de 25 mil milhões de euros entregues a compadres e famílias amigas dos políticos para alegados projetos Turísticos para ao fim de 5 anos reverterem para habitações particulares e depois não existe uns trocos para acabarem estas pocilgas ?