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OSCOT alerta para risco da presença de radicais no protesto dos "coletes amarelos"

19 dez, 2018 - 00:53 • Hugo Monteiro

Em entrevista à Renascença, o presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo antecipa cenários para as manifestações convocadas para sexta-feira, em Portugal.

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O presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo (OSCOT) diz que é fundamental evitar a infiltração de grupos extremistas estrangeiros nas manifestações marcadas para sexta-feira em Portugal.

A poucos dias dos anunciados protestos inspirados nos "coletes amarelos" franceses, António Nunes admite diferenças substanciais entre as manifestações previstas para Portugal e aquelas que têm ocorrido em França.

Em entrevista à Renascença, alerta, no entanto, para o risco que pode significar a presença de grupos extremistas. Elementos que podem condicionar o normal decorrer das manifestações, que, por tradição, são pacíficas em Portugal.

Que diferenças vê entre este protesto marcado para Portugal e aqueles que se têm repetido em França?

Eu não tenho a certeza que em Portugal não se conheça alguns dos líderes informais de alguns grupos que se vão manifestar. Essa é uma diferença, logo à partida, aos movimentos franceses, que começaram de uma forma um pouco mais anárquica. Em Portugal, temos a vantagem de estar prevenidos sobre aquilo que pode vir a acontecer.

Há duas medidas que são fundamentais. A primeira é que os nossos serviços de informações consigam perceber quem é que estará, eventualmente, até pela vigilância que se pode fazer das redes sociais, envolvido não só na organização, mas também na participação. Estas manifestações não podem ser penetradas por grupos radicais de direita ou de esquerda. Nós já temos alguma experiência, uma vez que no passado, durante a cimeira da NATO, houve, até, a capacidade de não permitir que alguns movimentos estrangeiros se dirigissem até Portugal. E numa segunda fase, no próprio dia, sermos capazes de fazer um controlo efetivo, quer da PSP, quer da GNR, sobre movimentos que possam originar alterações dos comportamentos nestas manifestações.

É fundamental impedir que movimentos extremistas participem nestas manifestações?

Sim. O fundamental é impedir que, no próprio dia, comecem a existir ações violentas. Se existirem, que sejam de imediato neutralizadas. Porque, se não forem neutralizadas de início, depois será mais complexo levar por diante qualquer ação de controlo de multidões.

A experiência francesa, que de certeza já foi transmitida às nossa forças e serviços de segurança, vai servir para uma melhor preparação e atenção a tudo o que se vai passar durante as manifestações. Neste momento, a vigilância das redes sociais e a perceção dos nossos serviços de informações, que têm contribuído com muitos dados junto das nossas forças de segurança, estão a trabalhar para conseguir essa capacidade de reação dessas forças.

Qual a maior dificuldade nesta operação?

É a sua dispersão territorial. Vai obrigar a uma atenção muito elevada em todo o território onde estão marcadas manifestações. E isso condiciona. É mais fácil fazer um controlo de multidões em locais mais restritos, do que ter manifestações de carater inorgânico, de uma forma generalizada por todo o território continental. Aí a dificuldade é maior, porque obriga a um esforço de coordenação e de controlo superior. O sistema de segurança interna, o sistema de informações, os próprios comandos nacionais da PSP e da GNR, certamente darão a resposta adequada para termos manifestações democráticas, e não manifestações de uma agressividade como vimos em França e na Bélgica.

Estarão a ser estabelecidos contactos com os organizadores do protesto?

Claro. Não só do ponto de vista formal, como também do ponto de vista informal. Haverá, certamente, algumas entidades que, neste momento, estarão atentas a qualquer movimentação e que estarão a fazer esses contatos informais. Por outro lado, quer a PSP, quer a GNR, vão fazer um controlo efetivo e um contato com eles.

Eu julgo que estão reunidas todas as condições para que aquilo que se passou em França, não aconteça em Portugal. Mas, se vier a acontecer, a nossa PSP e a nossa GNR, e as forças especiais de cada uma delas, têm uma capacidade elevada para dominar a situação e conseguir que não se passe aqui, aquilo que se passou em França. Até do ponto de vista social, em Portugal não temos muito a experiência dessas situações. Não podemos permitir é que grupos estrangeiros possam intervir nos protestos em Portugal. Porque, normalmente, as nossas atitudes são mais pacíficas do que a de outros países. No entanto, se forem penetradas por organizações extremistas, mesmo que sejam estrangeiras, essa é uma situação a que as nossas forças e serviços de segurança vão estar atentos, certamente.

Concorda com a ideia manifestada pelo Presidente da República de que os protestos em Portugal são, por norma, pacíficos?

Eu concordo que Portugal tem tido uma tradição pacífica, mas temos de estar alerta, porque pode ocorrer situações de penetração destas manifestações, por grupos extremistas estrangeiros e isso pode condicionar o desenvolvimento dos protestos. Eu diria que estou tranquilo sobre a organização e a capacidade e o profissionalismo que as nossas forças de segurança e de inteligência têm. Acredito que somos capazes de neutralizar qualquer tentativa de entrada de elementos extremistas para estes grupos de manifestantes.

Comentários
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  • Sónia sousa
    20 dez, 2018 Damaia 11:33
    Uma cambada de extremistas de direita
  • Faria
    19 dez, 2018 Lousã 23:01
    Querem mudar Portugal? Vão a votos.
  • Pedro R.
    19 dez, 2018 Chaves 20:04
    Esta gente cheira a ranço, não sabem que faz 100 anos já se tentou isto? Deu asneira e matou milhões.
  • Arnaldo
    19 dez, 2018 lisboa 18:26
    O programa já divulgado lançaria o País na maior anarquia e bancarrota abissal.Parece uma mistura de desejos dos extremistas dos dois lados e irresponsabilidade na governança.É destruturante no conjunto e se acham que têm razão formem partido e submetam-se a votos.O poder de rua é arruaceiro e alegadamente terrorista não sendo democrático.Querem mudanças vaô a votos.
  • Sara Magno
    19 dez, 2018 faro 12:25
    Arruaceiros saudosos da ditadura!
  • joao
    19 dez, 2018 lisboa 08:31
    Uma cambada de fachos quer vir para a rua na sexta feira era melhor título
  • luis dinis
    19 dez, 2018 sacavem 01:20
    Mas quais coletes qual carapuca, isto sao gente do PNR. Nem morto vou dar voz a esta gentalha. Dia 21 vou trabalhar como sempre. Os skinheads que fiquem a falar sozinhos.