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​Português começa a ser ensinado na Escola Internacional da ONU

06 dez, 2018 - 01:16 • José Alberto Lemos, em Nova Iorque

Portugal e Brasil uniram esforços e desta vez a ideia frutificou. A escola onde estudam os filhos dos funcionários das Nações Unidas passa a ensinar o português. Para já é só como língua extracurricular, mas o objetivo é ir mais longe.
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O Português acaba de se tornar uma das dez línguas ensinadas na Escola Internacional das Nações Unidas, um estabelecimento de ensino privado fundado em 1947, em Nova Iorque, onde estuda a generalidade dos filhos dos funcionários da ONU.

Trata-se para já de um projeto piloto que será avaliado a cada seis meses e que fica a dever-se aos esforços conjuntos de Portugal e do Brasil, mas cuja continuidade dependerá da procura que a nossa língua tenha na escola.

O Português será, por ora, uma disciplina extracurricular, mas o objetivo é que se torne uma língua que integre definitivamente o currículo da escola. Além das seis línguas oficiais das Nações Unidas — inglês, francês, russo, chinês, espanhol e árabe — só o alemão, o Italiano e o japonês integram o currículo da escola. Se o Português chegar a um estatuto idêntico ao destas três línguas será assim a décima a ser ali ministrada.

O embaixador português nas Nações Unidas, Francisco Duarte Lopes, considerou este arranque um “pequeno passo muito concreto” para um objetivo de “muito longo prazo” que será a consagração do português como língua oficial das Nações Unidas, lembrando que a nossa língua já é oficial em vários organismos internacionais.

O diplomata português, o seu homólogo brasileiro, Mauro Vieira, e o diretor da escola, Dan Bremmer, assinaram esta terça-feira um protocolo a consagrar a iniciativa no gabinete do secretário-geral, António Guterres. Uma cerimónia que contou ainda com a presença de alguns embaixadores de outros países de expressão portuguesa.

O facto de o ato ter tido lugar no gabinete do líder da ONU tem um simbolismo que os embaixadores, naturalmente, salientaram, já que este tipo de protocolos não costuma ter por palco o gabinete do secretário-geral. Guterres assistiu à cerimónia, mas não fez declarações, limitando-se a desejar felicidades para o projeto.

Esta não foi a primeira tentativa para introduzir o português na Escola Internacional das Nações Unidas. As anteriores não foram bem-sucedidas, mas desta vez os esforços coordenados de Portugal e Brasil atingiram o objetivo. Um esforço que terá sido estimulado também pelo facto de o secretário-geral da ONU ser de língua portuguesa, como admitiu o embaixador brasileiro Mauro Vieira.

Lisboa e Brasília assumem a responsabilidade pelos custos do projeto, o que envolve pagar aos professores e garantir o fornecimento de todo o material didático necessário para o ensino da língua. Pelo lado português, quem tutela o projeto é o Instituto Camões, que conduziu as negociações e assume a responsabilidade financeira.

Para já, há dois professores, um português e um brasileiro, que dão aulas a cerca de 20 alunos distribuídos por três níveis — primário, preparatório e secundário. O ensino terá em conta as diferentes culturas que se exprimem em português, incluindo as variantes linguísticas de cada país lusófono.

Segundo os responsáveis pelo projeto, a iniciativa visa responder também ao crescente interesse pela língua portuguesa nos Estados Unidos e nos fóruns internacionais.


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  • Isabel A. Ferreira
    06 dez, 2018 Porto 18:03
    Que "português" será ensinado na ONU? Se for o que preconiza a grafia brasileira, não lhe chamem Português.