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Jesuítas angolanos preocupados com congoleses repatriados

17 nov, 2018 - 12:48 • Ecclesia

O Serviço Jesuíta aos Refugiados em Angola exige que as autoridades tratem com dignidade as centenas de milhares de congoleses que estão a ser repatriados.

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O coordenador do Serviço Jesuíta aos Refugiados em Angola disse à Agência Ecclesia que o Governo angolano tem de respeitar os direitos humanos no decorrer da “Operação Transparência”, que motivou o repatriamento de mais de 500 mil congoleses.

“Os relatos que nos vêm desses refugiados, captados pela Cáritas Congolesa, dizem que houve maus tratos, grave violação dos direitos humanos. Mas também não é verdade, como circulou nos meios de comunicação internacional, que a polícia teria massacrado mais de 200 pessoas. Isto não é verdade”, disse o padre Celestino Epalanga.

“Que às vezes têm havido apreensão de bens, isso tem acontecido”, acrescentou o coordenador do JRS Angola.

No dia 25 de setembro, o Governo de Angola iniciou a “Operação Transparência”, que vai decorrer até 2020, com o objetivo de pôr fim à extração e comércio ilegais de diamantes e outros produtos naturais nas províncias de Malanje, Lundas Norte e Sul, Cuanza-Sul, Cuando Cubango, Bié, Moxico, Zaire e Uíge.

“Ao fechar essas cooperativas, casas de venda e compra de diamantes, levou o governo a ter de obrigar os refugiados, a maioria congoleses utilizados como mão de obra barata, a regressar ao Congo”, disse o coordenador do JRS Angola.

“Levavam-nos até à fronteira e, porque de lá até à sua terra de origem era uma distância enorme, ficavam abandonados, sem nenhuma assistência humanitária”, acrescentou.

O padre Celestino Epalanga sublinhou que é necessário que os dois países, com mais de 2000 quilómetros de fronteira, discutam “com sinceridades estes problemas” porque perigam a paz e a segurança”, sobretudo nas proximidades de eleições gerais no Congo.

Para o coordenador do JRS Angola é necessário denunciar a violação de direitos humanos nas zonas de explorações minerais pelas “precárias” condições de trabalho e porque “havia muitas crianças a trabalhar”.

“É bom que se diga que esta gente é vítima por estar a trabalhar naquelas condições e por terem de sair sem o apoio necessário para o seu país de origem”, afirmou o sacerdote jesuíta, que é também coordenar do setor da Pastoral Social na Arquidiocese de Luanda.

O diretor do JRS Angola referiu que o país tem um campo de refugiados na região do Dundo, o assentamento de Lóvua, que acolhe 14 mil refugiados, e que o número de cidadãos que tem chegado ao Norte do país é crescente, fixando-se nos arredores da cidade, nas comunidades, onde são detidos pelas forças de segurança e repatriados.

O padre Celestino Malange referiu ainda que é necessário criar condições em “termos de logística” para acolher essas pessoas.

“Falta o transporte e tem de se criar condições no assentamento: habitação, saneamento básico. Tem faltado dinheiro para criar condições no assentamento para depois levar essas pessoas que se encontram na cidade do Dundo e arredores, para o assentamento do Lóvua”, sublinhou.

A Agência Ecclesia está a acompanhar uma delegação da Cáritas Portuguesa e da Cáritas Angola em Luanda, Dundo e Saurimo no âmbito da concretização do projeto “Cáritas Lusófonas em Rede – Inovar para o Impacto”.

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