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OE 2019. PS afirma-se atento à incerteza internacional e acusa direita de estar longe do país

30 out, 2018 - 18:22

O líder parlamentar do PS, Carlos César, diz que o Governo, ao longo dos últimos três anos, cumpriu uma "trajetória do défice e da dívida pública que reduza encargos e propicie margens para gestão futura".
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O líder parlamentar do PS, Carlos César, considerou, esta terça-feira, que o Governo socialista está atento aos sinais de instabilidade internacional, adotando políticas de rigor orçamental e de sustentabilidade na Segurança Social, enquanto a direita está longe do país.

Carlos César falava no dia do seu aniversário no encerramento do debate na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2019. Uma intervenção em que acusou o PSD e CDS-PP de terem errado todas as suas previsões e em que, num recado ao Bloco de Esquerda e ao PCP, adiantou que a bancada socialista apreciará com "inteira liberdade e sentido de responsabilidade" as propostas de alteração ao Orçamento em sede de especialidade.

"Dentro de poucos minutos, será aprovado o quarto e último Orçamento de Estado desta legislatura. Acontecerá o que era tido como 'impossível', segundo os vaticínios fúnebres do CDS e do PSD - mas que, felizmente, se tornou possível graças ao entendimento alcançado entre o PS e os partidos que apoiaram a investidura do Governo", afirmou, aqui, numa alusão elogiosa ao Bloco de Esquerda, PCP e PEV.

Em três anos, segundo Carlos César, "os portugueses recuperaram benefícios, as empresas ganharam confiança e energia, o desequilíbrio orçamental foi corrigido, o país ganhou sustentabilidade e recuperou prestígio no plano europeu e no plano internacional".

No entanto, depois de fazer esta análise ao estado do país, na parte final da sua intervenção, Carlos César apontou também diversos fatores de incerteza resultantes da conjuntura internacional, como o "Brexit" ou a proliferação de políticas protecionistas em países "influentes".

Para o líder da bancada socialista, face a este cenário, o Governo português tem adotado uma linha de disciplina orçamental e uma estratégia de sustentabilidade em áreas como a da Segurança Social e ambiente.

Segundo Carlos César, ao longo dos últimos três anos, o executivo e o PS seguiram uma "trajetória do défice e da dívida pública que reduza encargos e propicie margens para gestão futura".

"Neste caso - como, aliás, em outros - 'com' e 'apesar' da resistência ativa dos nossos parceiros partidários", afirmou, agora, neste caso, numa referência crítica às reservas sobre orientação macroeconómica levantadas habitualmente por comunistas e bloquistas.

Ainda de acordo com o presidente do PS, face à atual conjuntura internacional, o Governo apostou "na recuperação do sistema financeiro nacional e nas suas capacidades para apoiar a economia e enfrentar riscos".

"Por isso, conseguimos ganhos nos saldos e na estabilidade financeira da Segurança Social. Temos, hoje, graças à conjugação desses resultados e dessas políticas, um país mais preparado e um país mais qualificado", concluiu o presidente do Grupo Parlamentar do PS.

Antes, o líder parlamentar do PS tinha já deixado uma crítica direta ao presidente do PSD, Rui Rio, por este ter caraterizado a proposta de Orçamento para o próximo ano como um "bodo aos pobres e aos ricos".

"A verdade é que foram as nossas políticas, incluindo as relativas às prestações sociais, que permitiram a atenuação de grandes desigualdades e que o rendimento disponível das famílias portuguesas tivesse em 2017 o maior crescimento da última década, contrastando fortemente com o sufoco que, pelos vistos, Rui Rio mais apreciaria. Este trajeto mostra que somos o que se esperaria de um partido da esquerda no Governo, que cuida dos apoios sociais e que se empenha na correção de todas as desigualdades", defendeu.

Porém, de acordo com Carlos César, este tipo de afirmações de Rui Rio, "mostra, também, à direita, que ela está longe de ser no país a força motora da confiança e do dinamismo da iniciativa privada".

"Mostra o PS na liderança de uma coisa e de outra. Ao contrário do que prediziam á direita, o país está mais ativo, mais credível, mais sustentável e mais confiante", advogou.

Ainda numa crítica ao PSD e ao CDS, o presidente do PS referiu que, para estes partidos da oposição, "o que aconteceu de bom em Portugal foi porque o Diabo se esqueceu dos portugueses, ou porque a Europa é a santa padroeira que, pelos vistos, antes não atendia as suas preces".

PSD e CDS-PP, completou, "andaram, incessantemente, a bradar que a economia tinha crescido mais no seu último ano de Governo do que no primeiro do atual".

"Afinal, o Instituto Nacional de Estatística, no mês passado, veio corrigir: A economia não só acelerou mais em 2016, como até convergiu com a área do euro. Em 2017 teve o maior crescimento desde o início do século - e em 2018 e 2019 continuará no caminho da convergência", sustentou.

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