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Argentina. Senado rejeita despenalização do aborto

09 ago, 2018 - 08:33

Proposta previa a legalização do direito à interrupção até às 14 semanas de gravidez.
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Os senadores da Argentina rejeitaram a lei que previa a despenalização do aborto, contrariando a aprovação histórica na câmara baixa do parlamento a 14 de junho.

Depois de mais de 16 horas de um aceso debate, 38 senadores votaram contra a proposta que previa a legalização do direito ao aborto até às 14 semanas de gravidez. A medida foi rejeitada por apenas sete votos, uma vez que 31 deputados votaram a favor.

Enquanto decorria o debate, milhares de pessoas manifestavam-se nas ruas de Buenos Aires. No exterior do Congresso argentino, famílias e religiosos reuniram-se de bandana azul clara na cabeça, agitando bandeiras argentinas e sob o lema "salvemos as duas vidas".

De resto, as bandanas tornaram-se um símbolo de ambas as partes. Os defensores do direito ao aborto envergaram um bandana verde e, apesar da chuva e do vento, dançaram ao som de tambores nas ruas de Buenos Aires até ao final da discussão, que só terminou pelas 3h00. Quando foram anunciados os resultados, contudo, os manifestantes a favor do aborto recorreram à violência para mostrar o seu desagrado e a polícia recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão, tendo feito algumas detenções.

A sociedade argentina ficou profundamente dividida sobre a questão, independentemente de filiações partidárias ou de classes sociais, e ao longo de várias semanas foram convocadas várias marchas a favor e contra a despenalização.

Atualmente, a lei argentina apenas permite o aborto em casos de violação ou quando a saúde da mãe está em risco.

[Notícia atualizada às 13h57]

Comentários
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  • Nose
    09 ago, 2018 lisboa 14:14
    O Parlamento e ideólogos portugueses q se revejam e vejam este comportamento.O legal cá é ilegal lá.
  • João Lopes
    09 ago, 2018 Viseu 10:26
    Quem defende o aborto, defende a licitude do extermínio silencioso, na barriga das próprias mães, de seres humanos pequeninos, indefesos e inocentes. É a ação humana mais indigna e perversa de imaginar.