Tempo
|
A+ / A-

Francisco pede aos bispos que fujam dos negócios, da política e da “mundanidade”

19 mar, 2018 - 19:11 • Ecclesia

O Papa presidiu esta segunda-feira à ordenação episcopal de José Avelino Bettencourt, prelado luso-canadiano que vai ser núncio na Arménia e na Geórgia.

A+ / A-
Francisco pede aos bispos para fugirem "da tentação de se tornarem príncipes"
Francisco pede aos bispos para fugirem "da tentação de se tornarem príncipes"

O Papa presidiu esta segunda-feira à ordenação episcopal de José Avelino Bettencourt, prelado luso-canadiano, e de outros dois bispos, a quem pediu que fujam dos negócios, da política e da mundanidade.

“Vós, irmãos caríssimos, eleito pelo Senhor, refleti que fostes escolhidos entre os homens e para os homens fostes constituídos nas coisas que dizem respeito a Deus. Não para outras coisas, não para negócios, não para a mundanidade, não para a política”, sublinhou Francisco, na homilia da Missa a que presidiu na Basílica de São Pedro, no dia em que a Igreja Católica celebra a solenidade litúrgica de São José.

Além do prelado nascido nos Açores, novo núncio apostólico (representante diplomático da Santa Sé) na Arménia e na Geórgia, foram ordenados bispos Waldemar Stanislaw Sommertag, da Polónia, novo núncio na Nicarágua; e Alfred Xuereb, de Malta, novo núncio na Coreia e Mongólia.

O Papa recordou aos três bispos que o episcopado é “o nome de um serviço, não de uma honra”.

“Fugi da tentação de vos tornardes príncipes”, pediu.

Francisco disse depois que “a primeira missão do bispo é a oração”, sublinhando que “um bispo que não reza não cumpre o seu dever, não corresponde à sua vocação”

A celebração na Basílica do Vaticano é acompanhada por uma comitiva açoriana, com a presença, entre outros, do vigário-geral da diocese de Angra, cónego Hélder Fonseca Mendes.

O Papa, que seguiu de perto a homilia do Pontifical Romano para estas celebrações, convidou os bispos a amar “com amor de pai e de irmão” todos os que Deus lhes confia, “antes de tudo os presbíteros”, seus colaboradores no ministério.

“Proximidade aos presbíteros: por favor, que possam encontrar-se com o bispo no próprio dia ou, no máximo, no dia a seguir”, exemplificou.

O rito da ordenação episcopal aconteceu depois da homilia, com a imposição das mãos, a entrega do anel, da mitra e do báculo, este um “símbolo do múnus de pastor”.

O agora arcebispo José Avelino Bettencourt, de 55 anos, era chefe de protocolo da Secretaria de Estado do Vaticano, desde 2012.

Em declarações à agência Ecclesia, o responsável agradeceu a “grande confiança” do Papa e sublinha a “proximidade” de Francisco, neste seu percurso, que o vai levar a servir populações de outras nações.

No final da missa, os três novos bispos percorreram a Basílica de São Pedro para abençoar a assembleia.

A ordenação episcopal aconteceu no dia em que assinalam cinco anos do início oficial do atual pontificado.

O Papa atribuiu a José Avelino Bettencourt, simbolicamente, a titularidade da antiga diocese de Cittanova, no território da Croácia.

O novo núncio mostra “muita vontade de ir ao encontro de outros povos e servir a Igreja”.

José Avelino Bettencourt, diplomata de carreira da Santa Sé, é natural dos Açores, tendo acompanhado a sua família que emigrou para o Canadá, onde foi ordenado padre em 1993, fazendo parte do presbitério de Otava.

O sacerdote frequentou a Academia Eclesiástica em Roma, onde se formou em Direito Canónico, e entrou no serviço diplomático da Santa Sé em 1999.

Depois de ter trabalhado na representação diplomática da Santa Sé na República Democrática do Congo, José Bettencourt passou à secção para as relações com os Estados, do Vaticano; em 2013, foi condecorado pelo presidente Aníbal Cavaco Silva com a Comenda da Ordem Militar de Cristo.

Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Destaques V+