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Cinemateca revela "lado invisível"

03 jan, 2013

O importante trabalho de conservação e restauro do arquivo vai estar em destaque na programação de Janeiro.

Cinemateca revela "lado invisível"

A Cinemateca Portuguesa vai toda a programação de Janeiro ao lado menos conhecido do seu trabalho, a conservação e restauro do arquivo, para "chamar a atenção, num momento particularmente difícil", disse à agência Lusa o sub-diretor, José Manuel Costa. 
 
Ao longo do mês estão previstos, em Lisboa, cerca de 130 sessões de cinema e alguns colóquios, para "discutir os problemas" do lado invisível da Cinemateca, para o grande público.
 
José Manuel Costa diz que a Cinemateca se tem debatido, nos últimos anos, com vários "problemas estruturais", de ordem técnica e financeira, que têm afectado os arquivos e a actividade de conservação e restauro, sobretudo numa fase em que se transita do analógico para o digital. 
 
Estão previstos quatro debates em torno do património fílmico de uma cinemateca, ciclos de filmes, sobre a história do cinema e a História de Portugal, e visitas guiadas ao ANIM, o centro nevrálgico dos arquivos da Cinemateca. 
 
O sub-diretor do Museu do Cinema traçou um cenário de dificuldades em 2012, que também é previsível para 2013, tendo em conta a forte quebra da receita global da Cinemateca. 
 
"Comparando com a década anterior, a Cinemateca teve um corte de 50%", disse, e isso reflecte-se, por exemplo, na falta de capacidade financeira para dotar de prateleiras os novos cofres de arquivos do ANIM, em Bucelas, tendo em conta que os depósitos antigos estão já com capacidade esgotada. 
 
"Num momento de reconversão tecnológica grande, a Cinemateca não tem, por exemplo, uma máquina para ler os materiais que nos estão a chegar em digital 2k, o chamado padrão 'Digital Cinema Package'. O desenvolvimento da base de dados está suspenso porque não há dinheiro para a reconversão", elencou. 
 
São actividades menos visíveis para os espectadores, mas essenciais para a memória da Cinemateca, reforçou José Manuel Costa. 
 
Toda a programação de Janeiro da Cinemateca estará debruçada sobre estas questões, sobretudo num momento "de transição do analógico para digital, porque os suportes estão a mudar". 
 
José Manuel Costa reconheceu que o actual secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, "tem tido muita atenção" para com a Cinemateca, e que a tutela tem sido a principal interlocutora, tendo em conta que o Gescult, o novo organismo tutelar das entidades públicas culturais do Estado, "ainda não foi accionado".