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"Sem remodelação Governo pode entrar numa linha descendente"

18 nov, 2014

No programa "Falar Claro" da Renascença, Nuno Morais Sarmento considera que o director do SEF, detido no caso dos vistos dourados, é um “exemplo inquestionável” do que deve ser um alto quadro do Estado.

"Sem remodelação Governo pode entrar numa linha descendente"
"Sem remodelação Governo pode entrar numa linha descendente"
No programa “Falar Claro” da Renascença, o social-democrata Nuno Morais Sarmento defende uma remodelação governamental. Sobre o caso vistos "gold", considera que o director do SEF, detido na operação "Labirinto, é um “exemplo inquestionável” do que deve ser um alto quadro do Estado.

Nuno Morais Sarmento defende que uma remodelação governamental alargada reforçaria a ambição de uma vitória da maioria nas próximas eleições legislativas.

Em declarações ao programa “Falar Claro” da Renascença, o antigo ministro aponta este momento como o ideal para uma troca de ministros que desse um novo fôlego ao projecto político, na sequência da demissão do ministro da Administração Interna, Miguel Macedo.

Sarmento considera que, se existe da parte do actual Governo “ambição de ultrapassar a legislatura e de dar uma leitura de futuro”, então faz todo o “sentido procurar envolver agora novos protagonistas que o possam ser, até, numa segunda fase” pós-eleições.

“Não haver remodelação significa perder uma oportunidade e correr o risco de deixar o Governo numa linha descendente, de não a inverter e de não a travar”, adverte o comentador social-democrata.

Ministra da Justiça deve sair?
Nuno Morais Sarmento diz que não é possível comparar o caso de Miguel Macedo com o da ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, na sequência dos graves problemas verificados na plataforma electrónica Citius.

“Comparar um problema de alegada corrupção, abuso de poder, etc… com uma falha funcional, é comparar alhos com bogalhos”, sustenta o social-democrata.
 
Já o socialista Vera Jardim considera que “às tantas o copo enche” e Paula Teixeira da Cruz está ainda mais fragilizada. “Estava fragilizada não só pelo que se passou no Citius, como pela atitude que tomou depois. Dizer: ‘são aqueles dois senhores que sabotaram esta coisa [o Citius]’. Depois fez um processo e o Ministério Público, em dez dias, arquivou aquilo. Isto fragiliza uma ministra da Justiça”, afirma o antigo titular da pasta.

Morais Sarmento considera que não era exigida a saída de Miguel Macedo neste momento, mas o ministro da Administração Interna “fez bem” em apresentar a demissão. Já o socialista Vera Jardim admite que “não será fácil” substituir o ministro da Administração Interna, “uma pessoa com peso político e um dos melhores ministros deste Governo”.

Sarmento aponta director do SEF como “um exemplo”
O director do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), Manuel Jarmela Palos, é um dos arguidos do caso vistos “gold”.

Nuno Morais Sarmento lembra que “todas as pessoas são inocentes até prova em contrário” e considera Manuel Jarmela Palos um exemplar alto quadro do Estado.

“Até hoje, porque as pessoas são inocentes até prova em contrário, se alguém me dissesse: aponte um alto quadro da administração pública que possa ser um exemplo, eu diria: o Manuel Palos, porque o conheço, tutelei funcionalmente o Manuel Palos por eu ter a responsabilidade das matérias da imigração enquanto ministro e ele, sendo na época sub-director do SEF, tinha intervenção, era ele que estava presente em representação das estruturas do Ministério da Administração Interna e até da Justiça. Estou a dizer que o apontaria como um exemplo inquestionável do que deve ser um alto quadro da administração pública”, afirma Morais Sarmento.