Passos sobre medicamentos inovadores: Nenhum país tem "recursos ilimitados"

04 fev, 2015

Oposição pede explicações ao ministro da Saúde sobre as declarações à Renascença da farmacêutica, que diz que doente de hepatite C poderia ter tido acesso a fármaco inovador sem qualquer custo para o Estado. PS acena mesmo com a necessidade de Macedo deixar o Governo.

Passos sobre medicamentos inovadores: Nenhum país tem "recursos ilimitados"

Nenhum país tem "recursos ilimitados para suportar" todo e qualquer preço que seja pedido por um medicamento, diz o primeiro-ministro.

Passos Coelho comentou esta quarta-feira o caso da doente que morreu na sexta-feira sem ter acesso a um medicamento inovador.

"Os Estados devem fazer tudo o que está ao seu alcance para salvar vidas humanas, os Estados devem fazer tudo o que está ao seu alcance para garantir os melhores cuidados de saúde, mas é mentira que [o façam] custe o que custar", disse em Santa Maria da Feira.

Isso significaria, afirmou, que Portugal teria "recursos ilimitados para suportar qualquer preço de mercado". "Isso não existe, nem em Portugal, nem em lado nenhum do mundo".

PS ataca Macedo
O PS acusou o ministro da Saúde de ser "o principal responsável político" pelos problemas no acesso a medicamentos para a hepatite C, desafiando Paulo Macedo a avaliar se tem condições para se manter no cargo.

"Há uma cadeia de responsabilidades que falhou, o senhor ministro é responsável. Não somos nós que temos de avaliar se tem ou não condições [para continuar], o ministro é que tem de fazer uma auto-avaliação e, com o senhor primeiro-ministro, perceber se tem ou não condições para continuar a ser o titular da pasta", afirmou a deputada do PS Luísa Salgueiro aos jornalistas, no Parlamento.

A farmacêutica norte-americana Gilead, responsável por um medicamento que tem uma taxa de sucesso elevado no combate à hepatite C, disse esta quarta-feira à Renascença que a doente que morreu na sexta-feira vítima da doença, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, poderia ter tido acesso ao fármaco sem qualquer custo para o Estado.

A mulher de 51 anos não o teve porque a empresa não recebeu nenhuma encomenda para o seu uso no tratamento da doente, garante a empresa.

Para o PS, a notícia da Renascença mostra que "já não se trata de uma questão de opção política, já não se trata de uma questão financeira".

"Trata-se de um total desprezo e desconsideração pelos problemas das pessoas por parte do ministro da Saúde, que é o principal responsável político por esta situação. Se não se considera responsável, tem de encontrar alguém que responda pelo que está a acontecer", afirmou.

Comentando a notícia da Renascença, a deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto pediu explicações rápidas de Paulo Macedo.