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Vítima de acidente em Chaves só teve vaga num hospital de Lisboa

03 fev, 2014

Porto, Gaia, Matosinhos e Braga disseram não ter cama e o jovem foi encaminhado para Santa Maria. Foram mais de mais de quatro horas de ambulância, porque o helicóptero não tinha condições para levantar voo.

Um jovem que sofreu um acidente de viação sábado, em Chaves, teve de fazer 400 quilómetros de ambulância para ser visto por uma equipa de neurocirurgia, dado não haver vagas nos hospitais próximos.

José Sarmento, pai da vítima, explicou à agência Lusa que, na sequência do acidente, o filho, Hugo Sarmento, de 20 anos, deu entrada no hospital de Chaves cerca das 2h00 de sábado inconsciente e em estado "grave".

Tendo de ser transferido para uma unidade de neurocirurgia, dado Chaves não ter a especialidade, os hospitais mais próximos - Porto, Gaia, Matosinhos e Braga - disseram não ter vagas, segundo o pai, pelo que acabou por ser encaminhado para o Santa Maria, em Lisboa, de ambulância, em mais de quatro horas de viagem, porque o helicóptero não tinha condições de segurança para levantar voo.

Hugo Sarmento saiu de Chaves cerca das 6h00, depois de três horas de espera, fez cerca de 400 quilómetros até Torres Novas de ambulância onde, depois de pedido médico dado o agravamento do seu estado de saúde, seguiu até Lisboa no helicóptero de Coimbra.

Na opinião do pai da vítima, perdeu-se "muito tempo" à espera do helicóptero, quando estavam já a 30 minutos de Lisboa. Neste momento, o jovem está em coma induzido, mas estável.

"Se tivesse uma hemorragia grave tinha morrido", lamentou.

A Tomografia Axial Computadorizada (TAC) detectou-lhe "dois ou três" coágulos de sangue no cérebro, daí a necessidade de ser transferido. "Quando pediram a transferência para o Porto, no Santo António, disseram que não o podiam receber porque estava cheio, no São João não o pretendiam porque estava ocupado, parece que andaram a ligar para Gaia, Matosinhos e Braga, mas ninguém o quis receber, não faço ideia do que se passou, só arranjaram vaga no Santa Maria", disse.

E, acrescentou, "os serviços estavam cheios, as vagas estavam cheias, no Norte e Centro ninguém o recebeu, nem o atendeu, teve de ir para o sul. Isto é um escândalo" e uma "vergonha" não haver.

Além disso, realçou o facto de a ambulância do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) de Chaves ter ficado inoperacional durante "várias" horas, dado ter tido de efectuar o transporte do filho até Lisboa.

A agência Lusa está a tentar obter uma explicação por parte do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), onde está integrado a unidade hospitalar de Chaves, mas sem sucesso.