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“Mátria”. Uma ópera para o Douro inspirada em Miguel Torga

13 abr, 2015 • Olímpia Mairos

Composta por compositor português e baseada na obra de um escritor também nacional, a obra terá 87 minutos, número que equivale à idade com que o escritor de o “Reino Maravilhoso” morreu.   

“Mátria”. Uma ópera para o Douro inspirada em Miguel Torga
O projecto já está em marcha. Chama-se "Mátria" e está a construir uma ópera para o Douro, inspirada na obra de Miguel Torga.

Está a ser executado pela produtora Mercearia das Ideias, é promovido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e apresenta-se como um “projecto cultural inédito” porque, segundo a organização, “trata-se da estreia de uma ópera em Portugal composta por um compositor português e baseada na obra de um escritor também nacional”.

A ideia partiu de Eduarda Freitas, jornalista residente em Vila Real, que deixou a profissão em finais de 2014 para se dedicar também a esta iniciativa de intervenção artística e comunitária e que vai “criar uma ópera com libreto baseado essencialmente nos Contos e Novos Contos da Montanha e música original do compositor Fernando C. Lapa”.

“O libreto está replecto de personagens criadas na imaginação de Torga mas que têm a característica de nos fazer reconhecer as nossas próprias angústias, sonhos e inquietudes”, avança Eduarda Freitas.

A obra começa com “a história de um menino que sonhava que na barriga de um monte existia um tesouro e que se desenrola ao longo dos 12 meses do ano, passando pela época das vindimas, o Natal ou as festas populares do verão”.

“Mátria – uma ópera para o Douro” terá 87 minutos, número que equivale à idade com que o escritor de o “Reino Maravilhoso” morreu.

Comunidade envolvida no processo criativo
Para além da escrita da ópera, o projectoaposta “no envolvimento da comunidade no processo criativo” e está a preparar cinco concertos com oito grupos da região, sete coros de Vila Real e um grupo piloto de Favaios.

“Cerca de 200 pessoas vão invadir as ruas destas duas localidades para surpreender as pessoas e mostrar que estamos a construir uma ópera”, revela Eduarda Freitas.

Nestes dois concertos, que decorrem em Maio e em Junho, vão ser apresentadas músicas tradicionais do Douro e Trás-os-Montes, mas com uma “roupagem contemporânea”.

Os restantes três concertos, o primeiro dos quais a 09 de Maio na terra natal do escritor, São Martinho de Anta (Sabrosa), têm um carácter mais intimista.

O objectivo destes concertos é “dar a conhecer o projecto Mátria, mostrar que há uma ópera em construção e muita gente envolvida nesta iniciativa que junta a música e a literatura”.

Mais tarde, aquando da produção da ópera em palco, parte destas pessoas poderão participar também em pequenos grupos, dando vida a coros de carácter mais popular.

Está ainda a ser filmado um documentário que pretende ilustrar a forma como todo o projecto está a ser implementado.

Projecto leva universidade ao território envolvente
“Mátria – uma ópera para o Douro” tem como entidade promotora a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e está a ser executado pela produtora Mercearia das Ideias. O conceito está integrado no projeto Douro Valor – Valorização e Promoção Económica, Cultural e Social de Património Imaterial do Alto Douro Vinhateiro.

O vice reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Artur Cristóvão, justifica a participação da academia na iniciativa por se tratar de “promoção da cultura” e também “uma forma de levar a universidade a todo este território envolvente”.

Ainda não há data marcada para a estreia da ópera, prevendo os promotores apresentar uma candidatura a fundos comunitários para a segunda fase do projecto, que corresponderá à montagem e encenação.

Esta primeira fase conta com um financiamento comunitário de 39 mil euros.