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Deus como interrogação. Uma antologia poética e um ciclo de debates

11 jul, 2014 • Maria João Costa

Famalicão acolhe este fim-de-semana um encontro de poesia coordenado por Tolentino Mendonça e Pedro Mexia. Os dois poetas acabam de editar uma antologia com poesia que se interroga sobre Deus.

Deus como interrogação. Uma antologia poética e um ciclo de debates

Faltava na estante de livros nacional uma antologia que reunisse poemas de autores portugueses que reflectissem sobre a questão de Deus. Convencidos disto, os poetas Tolentino Mendonça e Pedro Mexia puseram mãos à obra. Fizeram a lista de nomes, trocaram ideias, surpreenderam-se com alguns poemas e encontraram a editora para publicar o livro, “Verbo. Deus como interrogação na poesia portuguesa”.

Agora, com a obra nas mãos, com a chancela Assírio & Alvim, quiseram ir mais longe.

Tolentino Mendonça, que também é padre, explica que é preciso "fazer e discutir" e "colocar a poesia no centro do debate civil". É aqui que surge outro parceiro: a Fundação Cupertino de Miranda, em Famalicão.

A comemorar meio século de vida, a fundação que é guardiã do espólio do poeta e artista Mário Cesariny resolveu, com os dois coordenadores da antologia, organizar um encontro de poesia, esta sexta-feira e no sábado.

O ciclo de debates "Carmina 1" pretende pôr em discussão aquilo que a antologia poética lança como base.

O auditório da fundação servirá de palco a um conjunto de conversas que contam entre outros com as presenças de poetas como Armando Silva Carvalho, Carlos Poças Falcão e Fernando Echevarria, três dos autores escolhidos para a antologia.

De Nemésio a Daniel Faria
Presentes estarão também os poetas Tolentino Mendonça e Pedro Mexia, que fazem, esta sexta-feira de manhã, a apresentação da antologia poética num debate intitulado "a interrogação de Deus na poesia portuguesa - breves achas para uma grande fogueira". O tema provocatório remete para a antologia.

A obra reúne nomes como os de Sophia de Mello Bryener Andersen (ela que escreveu: “Deus é no dia uma palavra calma/ Um sopro de amplidão e de lisura.”), Ruy Belo, Pedro Tamen e Ruy Cinatti. Começa temporalmente com poemas de Vitorino Nemésio e termina com Daniel Faria.

Não se trata de uma "antologia religiosa", explica Pedro Mexia.

Aliás, os dois coordenadores explicam na introdução do livro que "esta não é uma antologia para crentes ou para não-crentes, é uma antologia de poesia que dá exemplos de um tema, de um motivo, de uma obsessão, exemplos portugueses, numa época que também nos deu Claudel, Eliot, Luzi ou Milosz, poetas com uma questão, com uma pergunta que nunca está respondida".

A questão da inquietação da interrogação sobre Deus é o eixo central desta antologia que reúne nomes que podem parecer "menos imediatos", diz Pedro Mexia, como Jorge de Senna ou Adília Lopes.

Treze poetas portugueses fazem esta obra que motivará o debate no encontro na Fundação Cupertino Miranda. Um evento que, segundo Tolentino Mendonça, "mostra como a poesia é um saber como e um lugar de partilha".