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"Tempo da minha jurisdição foi excessivo", diz bispo anglicano em Portugal

30 out, 2012 • Filipe d’Avillez

D. Fernando Luz Soares faz balanço positivo do seu tempo à frente dos destinos da Igreja Lusitana e explica como será feita a escolha do seu sucessor.

"Tempo da minha jurisdição foi excessivo", diz bispo anglicano em Portugal
“Para já posso dizer que é um tempo demasiado. Fui chamado muito cedo”, é assim que D. Fernando Luz Soares responde quando se lhe pergunta que balanço faz das mais de três décadas em que esteve à frente da Igreja Lusitana, o ramo português da Comunhão Anglicana.

“Acho que o tempo da minha jurisdição foi excessivo, porque entretanto aconteceram muitas coisas na sociedade portuguesa, a nível político, social, cultural e também a nível religioso, que foram demasiadas para uma igreja pequena como a nossa, porque temos as nossas dificuldades exactamente pela nossa pequenez”, explica o bispo resignatário em entrevista à Renascença.

Contudo, o bispo não deixa de fazer um balanço positivo destes 31 anos. “Houve momentos excelentes, da minha perspectiva. Consegui introduzir a ordenação das mulheres na Igreja Lusitana, consegui criar uma organização da própria Igreja e um espírito de diocese. Não foi fácil, mas conseguiu-se.”

“A Igreja cresceu por dentro, não em número de pessoas, mas cresceu por dentro. Ganhou consciência da sua condição de Igreja Anglicana, que não tinha, ganhou consciência da sua condição de Igreja episcopal”, explica ainda D. Fernando.

O bispo realça ainda o facto de a Igreja Lusitana, de apenas 5000 fiéis, se ter afirmado no contexto da Comunhão Anglicana, que conta com cerca de 200 milhões a nível global, e sublinha a importância do diálogo ecuménico que se desenvolveu com a Igreja Católica, sobretudo, mas não só.

Quatro candidatos à sucessão
À luz dos Cânones da Igreja Anglicana, D. Fernando deve resignar à sua jurisdição já no próximo ano, quando completar 70. Uma vez que a Igreja Lusitana reúne em sínodo diocesano ao longo dos próximos dias, este é o melhor momento para escolher um sucessor.

Existem quatro presbíteros que reúnem as condições para assumir o cargo. São eles Barros Banza, natural de Angola, Carlos Duarte e José Jorge Pina Cabral, do Porto e Fernando Santos, de Vila Franca de Xira.

Os candidatos serão escolhidos pelo sínodo, que é composto por todo o clero e ainda por um grupo de leigos. O vencedor será mais tarde sagrado por três bispos incluindo D. Fernando e o Arcebispo de Cantuária, ou um seu representante.