Tempo
|

Austeridade

Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando"

12 out, 2012

"O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática da nossa constituição e do nosso sistema constitucional", diz o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. D. José Policarpo refere ainda que as medidas de austeridade vão gerar resultados positivos para Portugal e para a Europa.

Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando"
"O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática da nossa constituição e do nosso sistema constitucional", diz o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa. D. José Policarpo refere ainda que as medidas de austeridade vão gerar resultados positivos para Portugal e para a Europa.
O Cardeal Patriarca considera que "não se resolve nada contestando, indo para grandes manifestações". "Nem com uma revolução se resolveria", disse D. José Policarpo, em Fátima, depois de ter sido questionado sobre a situação política e os sucessivos protestos contra o Governo.

O Cardeal Patriarca lamenta que a democracia portuguesa esteja "na rua". "Uma coisa preocupante é que uma democracia que se define constitucionalmente como uma democracia representativa, onde as soluções alternativas têm sítio próprio para serem apresentadas, está na rua", começou por dizer a este propósito.

"Até que ponto construímos uma saúde democrática com a rua a dizer como se deve governar? Isso é perfeitamente fora da nossa constituição e da compreensão do nosso sistema democrático. O que está a acontecer é uma corrosão da harmonia democrática da nossa constituição e do nosso sistema constitucional."

Sobre a questão da austeridade, D. José Policarpo mostrou-se confiante quanto aos sacrifícios que têm sido pedidos aos portugueses.
 
"A reacção colectiva a este momento nacional dá a ideia de que a única coisa que se pretende é mudar, mudar o Governo. Meus queridos amigos, não sei se é esse o caminho, nem tenho opinião a esse respeito", referiu o Cardeal Patriarca, em Fátima. "Sejamos objectivos e tenhamos esperança, porque penso, e há sinais disso, que estes sacrifícios levarão a resultados positivos - não apenas para nós, mas para a Europa."

Em relação à situação social, D. José Policarpo prefere apontar para a obra da Igreja, em vez de ser "apenas mais uma voz".

"Não nos peçam que entremos nesta balbúrdia de opiniões que se tem ouvido em todo o lado. Não contem comigo para isso. Para já, não me sinto competente, não gostaria de ouvir a minha voz a ser mais uma apenas nesta confusão. Agora, a Igreja no seu todo tem estado a reagir numa linha que é a sua própria, que é a da atenção às pessoas." 

D. José Policarpo diz ainda que é no contexto da União Europeia que se deve procurar a solução para a crise. "É nesse sistema em que estamos inseridos, por pertencer à União Europeia, que as soluções têm de ser encontradas. Para muitos dos problemas, não há duas soluções - há só uma."

O presidente da Conferência Episcopal foi ainda questionado sobre a possibilidade de a Igreja passar a pagar IMI, mas respondeu que isso é um assunto regulamentado pela Concordata, que não pode ser decidida por decreto administrativo.

O Cardeal Patriarca falava durante uma conferência de imprensa, esta sexta-feira, antes das cerimónias de Fátima a que vai presidir.

[notícia actualizada às 20h15]