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Novo director de comunicações quer Vaticano mais aberto à imprensa

26 jun, 2012

“A Igreja continua a ter uma mensagem formidável a partilhar com o mundo. É uma mensagem de espalhar o amor, mas que muitas vezes se perde no meio do ruído”, diz Greg Burke.

Novo director de comunicações quer Vaticano mais aberto à imprensa
O novo director de comunicações do Vaticano, o americano Greg Burke, diz que gostava de ver o Vaticano mais aberto à imprensa e ao mundo em geral e dá como modelo a seguir a Organização das Nações Unidas.

“O site da ONU tem uma lista com um porta-voz em cada continente, com números de telemóvel para o caso de querermos uma entrevista ou acesso a imagens gratuitas”, explica.

"O problema é quando não se diz nada, quando se fecha a porta", diz, explicando que nesses casos o vazio acaba por ser preenchido por mentiras distorções ou incompreensões.

O jornalista, que trabalha há 25 anos em Roma ao serviço da National Catholic Register, depois da Time e mais recentemente da cadeia televisiva FOX, diz contudo que não tem nenhuma varinha mágica e que sabe que a tarefa será difícil, “conheço o Vaticano suficientemente bem para saber que ninguém chega aqui e muda as coisas da noite para o dia”.

Contudo, o esforço valerá a pena porque “a Igreja continua a ter uma mensagem formidável a partilhar com o mundo. É uma mensagem de espalhar o amor, mas que muitas vezes se perde no meio do ruído”, afirmou, em entrevista à agência Catholic News Service.

“Que mensagem é que queremos transmitir? Como a transmitimos? Parece muito simples, mas a execução vai ser muito complicada”, admitiu Burke, que foi contratado no seguimento de uma série de escândalos mediáticos com que o Vaticano tem tido alguma dificuldade em lidar.

Burke terá a responsabilidade de coordenar as relações com a imprensa, mas também de coordenar as várias agências internas do Vaticano, incluindo um jornal, uma televisão, rádio, uma editora e um gabinete de imprensa. Apesar de não ter experiência em relações públicas, acabará por ser um pouco essa a sua função: “Eu sei o que os jornalistas procuram e do que precisam. Sei como é que as coisas serão tratadas na imprensa”, diz Burke, aludindo aos seus 25 anos de experiência no terreno.

A ligação de Burke ao Opus Dei tem sido referida por várias fontes. O jornalista não nega que é numerário da prelatura, mas diz desconhecer se essa relação motivou a sua contratação. Burke admite que terá tido mais a ver com o facto de falar fluentemente inglês.