Bispo de Beja lamenta falta de orações por chuva

12 mar, 2012

"A maioria da população não acredita na providência divina, mas somente na previdência de Bruxelas", lamenta D. António Vitalino Dantas.

Bispo de Beja lamenta falta de orações por chuva

O Bispo de Beja está descontente com a inexistência de orações pelo fim da seca e sublinha que os agricultores têm mais esperança nos subsídios da União Europeia do que em Deus.

"Noutros tempos já se teriam levantado súplicas ao céu a implorar a graça da chuva", escreve D. António Vitalino Dantas na mais recente nota semanal, citada pela agência Ecclesia, acrescentando que "algumas pessoas ainda falam da ajuda de São Pedro, mas parece que com pouca convicção".

Aparentemente os crentes "não se fazem ouvir e a maioria da população não acredita na providência divina, mas somente na previdência de Bruxelas", assinala D. António, constatando a pouca importância dada pelos católicos à Bíblia e à Virgem Maria.

“Afinal, as recomendações de Jesus no evangelho e de Nossa Senhora aos pastorinhos de Fátima, pedindo oração e sacrifícios pela conversão dos pecadores e pela paz no mundo não encontram eco nos nossos ouvidos”, assinala.

Depois de referir que “os europeus não querem Deus e muito menos o Deus revelado em Jesus Cristo, nem na Constituição europeia nem nos seus hábitos e comportamentos”, o bispo pergunta: “Tudo dependerá apenas da natureza e do acaso, ou haverá a possibilidade de alguma intervenção divina no percurso da nossa história?”.

Referindo-se à oração do Pai-nosso, onde se pede o pão para cada dia, D. António Vitalino frisa que “não basta repetir as palavras”: “É preciso rezá-las, com frequência e intensamente”.

“Isto não é resignação, mas reforço da capacidade de superação dos obstáculos”, salienta o prelado, que descreve a situação de seca no Alentejo e as dificuldades económicas dos agrários.

“Há muitas semanas que a terra não recebe umas pingas de chuva”, pelo que “os campos e montados estão secos e o gado tem de ser alimentado com rações, o que torna a produção agrícola difícil para a maioria dos agricultores”, destaca.

D. António Vitalino Dantas lembra que a ministra da tutela pediu ajuda à União Europeia, “segundo alguns um pouco tarde”, e faz votos para que “a seca não seja tão prolongada e calcinante como em 2005”, apesar de a água do Alqueva já estar disponível em “certas partes do território”.