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Dia Mundial do Doente

"Morre-se mal em Portugal", diz capelão hospitalar

10 fev, 2012 • Rosário Silva

O Padre José Maria Coelho lamenta que a sociedade fuja das realidades mais duras e que esconda a morte e a doença dos mais novos.

"Morre-se mal em Portugal", diz capelão hospitalar
Na véspera do Dia Mundial do Doente a Renascença olha para o sofrimento humano através do testemunho de quem lida diariamente com a dor. É o caso do capelão dos hospitais da Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo.

O padre José Maria Coelho trabalha nos hospitais de Beja e Serpa há oito anos. Tempo suficiente para perceber que em muitos casos, as famílias deixaram de ser o suporte natural de acolhimento aos seus doentes.

É uma realidade dura que advém de um conjunto de situações, segundo este sacerdote: “Cada vez há menos gente nova e há menos suporte familiar para dar apoio. As circunstâncias que as famílias passam actualmente, a destruturação por via de divórcios e fracassos matrimoniais tornam muito mais difícil este processo”.

O capelão lamenta ainda a mentalidade de fugir às realidades mais duras: “Há a mentalidade actual de fugir às realidades duras como a doença e a morte, que fazem parte da nossa vida. A família devia ser o suporte natural para acolher estas pessoas, mas muitas vezes isso não acontece.”

O medo da morte está hoje muito presente, e as novas gerações não sabem conviver com ela, porque são colocadas à margem numa atitude proteccionista que é prejudicial para o seu futuro. Por isso, diz o padre José Maria Coelho, hoje “morre-se mal” em Portugal.

“Vive-se o medo da morte. Vemos muitos doentes a morrer debaixo da cortina, numa solidão brutal. Tenta-se esconder aos mais novos a morte, mas a morte é uma realidade que nos vai atingir a todos mais cedo ou mais tarde, e temos que nos habituar a ela desde pequenos. Por isso no nosso país morre-se mal, e quando chegar à própria pele de quem foge a essa realidade vai ser mais duro e mais difícil”, prevê o padre José Maria Coelho.