Tempo
|

Hong Kong

Cardeal Zen em greve de fome por liberdade de educação

19 out, 2011

Campanha na internet procura atingir a reputação do bispo Joseph Zen, alegando que o prelado tem financiado actividades anti-chinesas.

Cardeal Zen em greve de fome por liberdade de educação
O bispo emérito de Hong Kong, Cardeal Joseph Zen, iniciou esta manhã uma greve de fome de três dias pela liberdade de educação na região, que considera estar ameaçada.

O supremo tribunal de Hong Kong rejeitou um recurso da Igreja Católica contra uma medida do Governo de criar comissões para avaliar os programas educativos das escolas. Estas comissões seriam compostas por pais e professores, mas também por pessoas de fora do sistema escolar, nomeadas pelo Governo.

“Quero chamar atenção para o erro que é a decisão do tribunal, que é uma grande injustiça para a Igreja e o território de Hong Kong e que ameaça destruir o sistema educativo, considerado um dos melhores da região, de alta qualidade e eficiência”, afirmou o cardeal à agência católica AsiaNews.

Durante os próximos três dias o bispo, de 79 anos, apenas consumirá água e comungará, abstendo-se de qualquer outro alimento.

A iniciativa do cardeal tem sido acompanhada por uma campanha contra ele, lançada na internet. Alguns blogues têm publicado registos de doações recebidas pelo Cardeal, vindas maioritariamente do milionário Jimmy Lai, na ordem dos trezentos mil euros por ano.

Lai, que se converteu ao catolicismo, é um crítico do regime chinês e defensor da democracia e os críticos pretendem indicar que o bispo terá usado o dinheiro para si, ou para actividades anti-chinesas.

Em resposta o cardeal Zen explicou que o dinheiro tem sido usado para financiar bolsas de estudo, traduções de textos teológicos para chinês, ajuda a dioceses afectadas por desastres naturais e, também, apoio a bispos da Igreja clandestina – fiel a Roma – na China continental.

“Se tivesse usado o dinheiro para mim tinha comprado um carro e arranjado um condutor. Em vez disso tenho que usar o meu carro velho, guiado por mim”, explicou o Cardeal.