Defensores de Kobani liderados por uma mulher

11 out, 2014 • Filipe d’Avillez

De um lado fanáticos islâmicos que matam minorias religiosas e impedem os direitos das mulheres, do outro os curdos, liderados precisamente por uma combatente.  

Defensores de Kobani liderados por uma mulher
As forças curdas que defendem a cidade de Kobani da ofensiva do Estado Islâmico são liderados por uma mulher, segundo informação que circula em redes sociais.

Pouco se sabe de Nalin Afrin, nem se esse é o seu nome verdadeiro, mas há pelo menos uma fotografia em que aparece, fardada e com binóculos, a observar os movimentos dos inimigos islamitas que procuram controlar a cidade.

Em pelo menos um blog ligado aos movimentos independentistas curdos, é explicado que o homem que aparece à direita de Afrin foi morto em combate há cerca de duas semanas.

O mesmo blog, chamado “Free Kurdistan” [Curdistão Livre], explica que centenas de mulheres curdas se têm juntado às “Unidades de Protecção Popular”, o nome dado às milícias curdas na Síria e no norte do Iraque.

“Para as mulheres, o alistamento é uma decisão política e pessoal, uma vez que o Estado Islâmico ataca as mulheres em particular. Em Tell Harran as mulheres experienciaram esse facto. O Estado Islâmico atirou as mulheres para a rua, nuas. Houve violações. Elas viram o que acontece se não se defenderem. Estão a ser assassinadas, desmembradas, violadas e vendidas”, lê-se no blogue.

A participação das mulheres nos combates realça o grande contraste entre as duas forças que se defrontam neste momento em Kobani. De um lado, os fundamentalistas islâmicos, que obrigam as mulheres dos territórios que controlam a cobrirem a cara e as tratam como inferiores, e do outro uma força secular onde as mulheres lutam ao lado dos homens e chegam a cargos de liderança, como parece ser o caso de Nalin Afrin.

Ao longo dos últimos meses as mulheres não têm sido poupadas nos avanços do Estado Islâmico. Tornaram-se conhecidas as histórias de violações e rapto de centenas de mulheres no norte do Iraque, sobretudo entre as comunidades yazidi e cristãs. Essas mulheres foram posteriormente vendidas como escravas ou exploradas sexualmente por jihadistas. Já os homens tendem a ser sumariamente executados.

Caso a cidade de Kobani seja ocupada, teme-se que a população civil tenha a mesma sorte.