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Vaticano propõe “pausa pela paz“ antes da final do Mundial

11 jul, 2014 • Filipe d’Avillez

O Conselho para a Cultura da Santa Sé recorda a tradição na Grécia antiga de interromper os conflitos por ocasião dos jogos olímpicos e sugere o mesmo para domingo.  

Vaticano propõe “pausa pela paz“ antes da final do Mundial
O Vaticano está a promover uma “pausa pela paz” antes da final do Mundial, no próximo domingo.

A ideia partiu do Conselho para a Cultura, um departamento da Santa Sé que se ocupa também dos assuntos desportivos e até já deu numa “hashtag” para usar nas redes sociais: #PAUSEforPeace.

Falando com os jornalistas, o monsenhor Melcher Sanchez de Tosca y Alameda, subsecretário do conselho, recordou a tradição, na Grécia Antiga, de interromper todos os conflitos durante os jogos olímpicos. “Porque não para o Campeonato do Mundo? Porque não uma pausa, um momento de silêncio, umas tréguas pela paz?”.

O Vaticano não chegou ao ponto de propor à FIFA um minuto de silêncio antes do apito inicial do jogo que vai opor a Alemanha à Argentina para determinar quem se sagra campeão do mundo de futebol. Segundo Tosca y Alameda, cada adepto e organização fará como entender.

Ao longo dos últimos dias tem havido especulação (e muitas piadas na internet) sobre como é que os dois papas, Francisco e Bento XVI, respectivamente argentino e alemão, vão ver o jogo.

O Vaticano considera que o tema “tem piada”, mas o director da Sala de Imprensa da Santa Sé recordou na quinta-feira passada que Bento XVI, ao contrário de Francisco, não é adepto de futebol e seria quase um castigo obrigá-lo a assistir ao jogo.

Mas da Igreja têm vindo também outras vozes mais desagradadas com toda a atenção dada ao futebol nesta altura. O Patriarca Louis Sako, da Igreja Caldeia, no Iraque, lamentou que os cristãos do ocidente considerem o futebol “mais interessante do que a situação" no país ou na Síria, onde os avanços islamitas têm levado a um êxodo generalizado de cristãos.

A proposta do Conselho para a Cultura pode ser uma forma de a Igreja aproveitar essa popularidade do futebol para promover a paz em vários pontos do mundo, incluindo no Médio Oriente.