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“Adopção por homossexuais põe em causa civilização de milénios”

19 jan, 2014 • Filipe d’Avillez

Manuel Braga da Cruz considera que se está perante um modelo que “algumas vanguardas pretendem impor à sociedade”.  

“Adopção por homossexuais põe em causa civilização de milénios”
A questão da co-adopção e adopção por homossexuais vai muito para além de saber quem pode ou não cuidar de uma criança, tendo implicações civilizacionais, considera Manuel Braga da Cruz, ex-reitor da Universidade Católica.

O Parlamento aprovou na sexta-feira a realização de um referendo sobre a legalização desta prática. Manuel Braga da Cruz teme que a sociedade fique enfraquecida caso seja aprovada.

“A co-adopção remete não apenas para a educação que nós queremos que seja dada a todos os portugueses, mas também para a organização da sociedade”, afirma.

“Admitir que uma adopção possa ser feita por um agregado que não integre esta diversidade de papéis no interior da família é particularmente grave não só porque debilita a criança que é educada, como debilita a própria instituição familiar e, por aí, também a família.”

“Está muito longe de ser apenas uma questão de saber quem pode adoptar uma criança, claro que é isso também, mas remete para questões muito mais vastas e de maior importância. Nos últimos anos temos vindo a assistir a uma deliberada orientação política que visa debilitar a sociedade, em nome do reforço da liberdade individual. Isso enfraquece a cidadania, enfraquece a sociedade civil e torna a sociedade facilmente manipulável por objectivos políticos”, considera Braga da Cruz.

“Estamos perante uma questão que altera a ordem civilizacional em que temos vivido ao longo de milénios. Não é coisa pouca, é uma questão muito importante que não pode ser decidida ligeiramente e apressadamente.”

Manuel Braga da Cruz considera ainda que a adopção por homossexuais não reflecte a vontade dos portugueses, mas está a ser avançada por “algumas vanguardas” que pretendem “impor modelos à sociedade portuguesa”.

“Essas vanguardas visam em primeiro lugar a liberdade do indivíduo, numa perspectiva muito egoísta, e que não têm em devida consideração não apenas os direitos da criança e os direitos educativos da criança, como não têm em consideração aquilo que deve ser uma sociedade civil forte, actuante e adulta numa democracia.”

O ex-reitor da Universidade Católica acha que a Igreja Católica deve assumir um papel durante a campanha para o referendo, caso este chegue a avançar: “O papel da Igreja na instituição deve ser de contribuir para o debate cívico, que também é político obviamente, através do esclarecimento daquilo que é a sua doutrina social, que resulta de uma longa e vasta, historicamente falando, sabedoria que amadureceu ao longo dos séculos na sua visão e compreensão do homem”.

“A Igreja deve contribuir para este debate, não apenas os bispos mas também os leigos, para que se compreenda todo o alcance do que está em causa e aquilo que deve ser ponderado antes de uma decisão neste domínio”, afirma Braga da Cruz, em declarações à Renascença.