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Vaticano congela bens de prelado detido por corrupção

12 jul, 2013

Santa Sé informa que “as averiguações podem estender-se a outras pessoas”.

O Vaticano anunciou esta sexta-feira que mandou congelar os bens do monsenhor Nunzio Scarano, o alto responsável da Igreja italiana detido na semana passada, em Roma, no âmbito da investigação das autoridades ao Instituto das Obras Religiosas (IOR), normalmente chamado Banco do Vaticano.

A justiça do Vaticano decidiu congelar os bens do prelado no âmbito do inquérito às actividades suspeitas e informou esta sexta-feira em comunicado que “as averiguações podem estender-se a outras pessoas”.

Monsenhor Nunzio Scarano estava ligado à administração do património da Santa Sé e é acusado de estar envolvido na introdução de 20 milhões de euros em notas, provenientes da Suíça, para uma conta que tinha no banco da Santa Sé. No âmbito desta operação foram também detidos um agente dos serviços secretos italianos e um intermediário financeiro.

A comissão para rever as actividades do Banco do Vaticano foi criada a 26 de Junho pelo Papa Francisco. O objectivo é assegurar que o IOR não se afasta da missão da Igreja e que o Banco não está a ser usado para branqueamento de capitais ou financiamento de actividades ilícitas.

A decisão de criar a comissão surge depois de um recente relatório ter revelado a existência de movimentos financeiros suspeitos e no contexto de uma grande operação iniciada pelo Vaticano para tentar tornar a instituição mais transparente.

Monsenhor Nunzio Scarano foi detido dois dias depois do anúncio da comissão.

Já este mês, o Papa nomeou uma nova direcção o Banco do Vaticano (IOR). Foi a terceira mexida que Bispo de Roma fez na instituição desde que tomou posse.

O director e o subdirector do Instituto foram afastados. Ernst von Freyberg, o actual presidente, assumiu interinamente funções como director-geral. Terá a seu lado Rolando Marranci e Antonio Montaresi, que substituem Paolo Cipriani e Massimo Tulli, que resolveram sair depois de anunciada a detenção do monsenhor Nunzio Scarano.