Debate quinzenal

Seguro acusa Passos Coelho de beneficiar o PSD/Madeira

28 set, 2011

Líder do PS considera que o chefe de Governo devia ter apresentado o plano de austeridade para o arquipélago.

Seguro acusa Passos Coelho de beneficiar o PSD/Madeira

O secretário-geral do PS acusou o primeiro-ministro de contrariar a palavra dada no Parlamento e de beneficiar o PSD/Madeira, ao adiar a apresentação do programa de austeridade para o arquipélafo para depois das eleições na região autónoma.

António José Seguro falava aos jornalistas após debate quinzenal na Assembleia da República, depois de sustentar que o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, se comprometeu há 15 dias a anunciar até ao final do mês os resultados da auditoria às contas da Madeira e o programa de ajustamento para a região autónoma.

"A resposta que o primeiro-ministro deu hoje - e que todo o país ouviu - deixa-me preocupado. Quinze dias depois, o primeiro-ministro disse que não estava em condições de cumprir esse prazo", observou o líder socialista.

António José Seguro referiu a seguir que o país, na sequência da ideia de Passos Coelho remeter o conhecimento do programa de ajustamento para mais tarde, "está perante uma situação grave".

"Estamos a meio de uma campanha eleitoral e há aqui dois pesos e duas medidas por parte do actual primeiro-ministro. Quando era líder da oposição, o actual primeiro-ministro exigiu - e bem - conhecer toda a situação das contas públicas portuguesas, assim como as consequências do memorando da troika; agora, há um desrespeito pelo acto democrático", argumentou o secretário-geral do PS.

António José Seguro afirmou que o problema da Madeira "tem que ver com o nosso Estado democrático". "Com este comportamento [do Governo], considero que há um benefício para o PSD da Madeira. Se os madeirenses soubessem no acto do voto quais os sacrifícios por que vão ter de passar devido à má gestão e irresponsabilidade do PSD/Madeira, estou convencido de que tudo seria completamente diferente", afirmou Seguro.

O secretário-geral do PS declarou que tudo fará para que os madeirenses "saibam antes de votar [a 9 de Outubro] quais as consequências que advêm" em resultado do desvio financeiro registado nesta região autónoma.

Francisco Louçã, coordenador do Bloco de Esquerda, criticou o facto de o programa de apoio à Madeira não ser conhecido antes das eleições.

“Proteger a irresponsabilidade é não colocar ao debate público as grandes opções. O que [Passos Coelho] nos disse é que vai proteger Alberto João Jardim e não é admissível proteger a irresponsabilidade”, disse.

Já Jerónimo de Sousa considera que o Governo tem dois discursos sobre o próximo ano. “Há uma contradição que se tem verificado neste Governo: ouvimos o senhor primeiro-ministro dizer 'para o ano podemos ficar melhor' e o ministro das Finanças [Vítor Gaspar] vai para o estrangeiro dizer 'para o ano vamos ficar pior'. No meio desta contradição – e lembrando os tais 100 dias –, nós hoje temos mais recessão, mais desemprego, três mil falências de empresas, mais injustiças, mais impostos, mais sufoco da própria dívida”.