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Conversa entre Gaspar e ministro alemão não devia ter sido divulgada

10 fev, 2012 • Daniel Rosário

Na origem da polémica está um vídeo divulgado esta quinta-feira pela TVI, que regista uma conversa entre o ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, e o seu homólogo alemão, Wolfgang Shauble.

Conversa entre Gaspar e ministro alemão não devia ter sido divulgada
Os regulamentos do centro de imprensa do conselho de ministros da União Europeia são claros no que respeita à divulgação de imagens relativas às reuniões e, sobretudo, aos chamados “tours de table”, momentos em que os ministros já se encontram na sala e em que conversam informalmente entre si.

Numa folha de papel discretamente afixada numa parede da sala de imprensa, explicam-se as 13 regras gerais em aplicação. O ponto número seis refere que os jornalistas que efectuam a gravação dessas ocasiões devem garantir que as câmaras captam apenas o som ambiente e não as conversas entre os ministros. E explicita que, caso as conversas sejam gravadas, as mesmas não podem ser difundidas. 

Estas regras estão em discussão devido à divulgação, quinta-feira à noite, pela TVI, de uma conversa entre o ministro das Finanças português, Vítor Gaspar, e o seu homólogo alemão, Wolfgang Shauble.

Episódios desta natureza acontecem com frequência e, na mesma reunião, a televisão espanhola gravou e divulgou partes de uma conversa do seu ministro das Finanças, em que este antecipava as linhas da reforma do mercado laboral. Comentários feito na mesma ocasião pela ministra austríaca ao ministro grego foram captados por outra câmara e difundidos via Twitter por jornalistas de várias nacionalidades.

A Renascença sabe que o ministro alemão ficou furioso com a divulgação da conversa e exige agora que os jornalistas sejam proibidos de gravar as conversas informais entre os ministros que antecedem as reuniões, algo que, no entanto, dificilmente será aceite.

Também a representação de Portugal junto da União Europeia terá manifestado o seu desagrado pelo sucedido.

Entretanto, os membros da direcção da organização que representa os jornalistas acreditados junto das instituições europeias em Bruxelas foram convocados para uma reunião sobre o sucedido.

Esta é uma discussão recorrente, que surge sobretudo quando a divulgação do conteúdo das conversas em causa desagrada aos protagonistas, os quais, noutras ocasiões, não deixam de fazer uso da presença das câmaras para transmitir imagens e mensagens às respectivas opiniões públicas. Em última análise, em causa estará sempre o interesse público das mesmas.