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Sarkozy e Merkel cozinham nova Europa. Barroso deixa alertas

10 nov, 2011

O Presidente da Comissão Europeia critica directório de países e diz que, dividida, a União Europeia é insustentável.

Sarkozy e Merkel cozinham nova Europa. Barroso deixa alertas
Sarkozy e Merkel cozinham nova Europa. Barroso deixa alertas
A França e a Alemanha estão a negociar uma nova União Europeia, de acordo com vários órgãos de comunicação social da Europa.

As informações avançadas apontam o Presidente francês, Nicolas Sarkozi, como o mentor da ideia de assumir, em definitivo, "duas" Europas ou uma Europa a duas velocidades.

Vários jornais europeus indicam que a chanceler alemã, Ângela Merkel, e  Nicolas Sarkozi, estão a estudar a hipótese de constituição de um núcleo duro integrado, apenas, pelos países que sejam capazes de cumprir a disciplina fiscal e estarão já a consultar outros países – como a Holanda, a Bélgica e o Luxemburgo – sobre essa hipótese.

No núcleo duro, pode entrar um total de nove países, entre os quais a Espanha. Paris e Berlim querem um grupo de países mais pequeno, mas com níveis de crescimento e estruturas mais semelhantes.

Segundo a agência Reuters, as discussões entre os responsáveis da Alemanha, França e Bruxelas estão a ir mais longe, aumentando a possibilidade de um ou mais países abandonarem a Zona Euro. Os que permanecerem devem tomar medidas que levem aprofundem a integração económica.

A agência de informação avança que o Presidente francês - acossado, já, pelas eleições presidenciais do próximo ano e empenhado em manter, a todo o custo, a classificação de triplo A da dívida soberana francesa - desvendou, ontem, parte deste plano ao referir, em declarações a estudantes de Estrasburgo, que uma Europa a dois ritmos é o único modelo para o futuro.

O jornal alemão “Handelsblatt revela, por seu lado, que o partido de Angela Merkel quer que seja possível que os membros da União Europeia saiam da Zona Euro.


Durão Barroso alerta: Europa dividida não sobrevive
“Se a Zona Euro ou a União Europeia se desfizerem, os custos, segundo alguns cálculos, seriam de 50% do PIB numa fase inicial. E estima-se que o PIB alemão iria contrair em 3% e perder um milhão de empregos. Isto, se a Zona Euro fosse reduzida a alguns membros chave”, afirmou, ontem, em Berlim, o presidente da Comissão Europeia.

“Mas há mais: poria em perigo a prosperidade da futura geração. Isto é uma ameaça que paira sobre nós. É esta ameaça que nos guia no compromisso de resolver as situações da Grécia e noutros países, desde que esses Estados cumpram o seu papel também”, advertiu.

O chefe do executivo comunitário defendeu ainda que uma Europa dominada por uma "espécie de directório" não funcionará, apelando à Alemanha que mostre "liderança", mas num "espírito comunitário".

Tal como está, advertiu, a União Europeia é insustentável e não vai funcionar a longo prazo. Durão Barroso diz que a velocidade da União Europeia – e, mais precisamente, da Zona Euro – não pode ser a dos países membros mais lentos, que estão a atrasar o progresso dos outros Estados. Mas uma União Europeia dividida não funciona, pelo que a Europa deve transformar-se ou entra em declive.

O presidente da Comissão Europeia, que falava na conferência anual "Discurso sobre a Europa" (uma iniciativa da Fundação Konrad Adenauer, próxima da chanceler Angela Merkel), considera, por isso, que a integração europeia "é mais importante do que nunca na era da globalização" para defender o modo de vida, os valores e o bem-estar da Europa.

A Europa "é um conceito dinâmico, que não está gravado na pedra e tem de se adaptar as circunstâncias políticas e económicas", defendeu. A questão central agora é, na sua opinião, "é ter vontade política para aprofundar a União" e mostrar aos cidadãos o que está em jogo, escolher o caminho da força, e não o da fraqueza, o caminho da unidade, e não o da divisão.

"Desde que haja vontade política, o maior poder emergente no mundo será a União Europeia" e o mundo precisa de "mais Europa, e não menos", daí a necessidade de uma maior integração.