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Técnicos da UNESCO avaliam barragem do Foz Tua no Douro Vinhateiro

01 ago, 2012

Em causa, a manutenção do estatuto de Património Mundial da Humanidade. Há quem diga não haver razão para o perder, outros falam em falta de moral.

Técnicos da UNESCO avaliam barragem do Foz Tua no Douro Vinhateiro
Especialistas da UNESCO começam, esta quarta-feira, a avaliar os trabalhos e impactos da construção da barragem do Foz Tua no Alto Douro Vinhateiro. A região está classificada como Património da Humanidade e a obra é contestada por ambientalistas, que consideram o projecto da barragem um atentado à paisagem classificada

Por isso, vão aproveitar a presença dos técnicos da UNESCO para se concentrarem junto ao Museu do Douro esta manhã.

“O país só pode escolher uma: a que serve o interesse nacional e o interesse regional, isto é, parar a barragem, repor a linha do Tua e o vale do Tua, valorizar o Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade”, defende a dirigente do Partido Ecologista Os Verdes, Manuela Cunha.

“Se autorizarem a construção da barragem, não vai haver mais moral para impedir qualquer outro tipo de construções agressivas ao longo do Douro e na área classificada, porque todos os interessados nessas construções – e poderão vir muitos – vão invocar o interesse nacional, o supremo interesse económico da região, etc, como a EDP agora invoca para aquela barragem. Será um exemplo, pela negativa, que terá filhotes no futuro”, sustenta, em declarações à Renascença.

Outra opinião têm os autarcas da região.

“É perfeitamente compatível com o Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade. Em primeiro lugar, porque 99% do empreendimento está fora do Alto Douro Vinhateiro como Património da Humanidade”, defende o presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro, Artur Cascarejo.

O ritmo das obras abrandou em Foz Tua, por indicações da UNESCO, mas a EDP, através do seu presidente, António Mexia, vai tentar mostrar que o empreendimento é importante na preservação do Património do Alto Douro Vinhateiro.

E vai apresentar à comitiva da UNESCO o projecto do arquitecto Souto de Moura que visa a compatibilização da Central Hidreléctrica com a paisagem classificada.