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Universidade Católica retira curso contestado por movimento pró-vida

09 jan, 2013 • Filipe d’Avillez

Pós-graduação tinha prevista a participação de quatro médicos defensores da despenalização do aborto, mas afinal não se vai realizar.

A Universidade Católica já não vai oferecer a pós-graduação em Serviço Social na Saúde Mental que tinha estado a anunciar e que deveria começar já no próximo mês.
 
Na terça-feira a Associação Mulheres em Acção emitiu um comunicado em que questionava o facto de quatro dos médicos que iriam leccionar no curso serem defensores públicos de posições contrárias aos valores católicos, nomeadamente no que diz respeito ao aborto.
 
A Renascença tentou obter uma reacção da Universidade Católica, que acabou por responder por escrito a informar que o curso afinal não se vai realizar, uma vez que se “constatou entretanto ter havido um lapso de tramitação formal no processo de  aprovação interna, pelos órgãos legalmente competentes da Faculdade, do mesmo”.
 
A Universidade não comentou a escolha dos médicos em questão, dizendo apenas que “o curso já não está a ser oferecido pela Faculdade, e não irá sê-lo até que a proposta
científica seja aprovada nos termos correctos.”
 
Entre os docentes cuja participação estava prevista estavam os médicos António Leuschner, Álvaro de Carvalho e Caldas de Almeida, que fizeram parte do 'Médicos pelo Sim', um movimento que promoveu a liberalização do aborto no mais recente referendo realizado sobre o assunto em Portugal.
 
O outro médico cuja presença era questionada é o director-geral de Saúde, Francisco George, que não foi signatário da mesma plataforma, pela posição que ocupava na altura, mas cujas posições em favor da despenalização do aborto são públicas.