Governo atrasa início do ano lectivo

23 jun, 2015

PCP e Bloco de Esquerda pedem explicações ao ministro da Educação. Pais não compreendem decisão de Nuno Crato.

Governo atrasa início do ano lectivo

O Ministério da Educação propôs aos professores que as aulas do próximo ano lectivo comecem entre 15 e 21 de Setembro, um atraso de uma semana em relação ao que tem sido habitual nos últimos anos.

A notícia foi avançada esta terça-feira pelo jornal digital “Observador”, que teve acesso à proposta de calendário escolar para 2015/2016 que o Ministério da Educação entregou ao Conselho de Escolas.

Uma fonte do Ministério da Educação já justificou este atraso. “Pretendeu-se um maior equilíbrio na duração dos três períodos lectivos”, disse ao “Observador”.

De acordo com a proposta do Governo, o novo ano lectivo deverá arrancar entre 15 e 21 de Setembro. As férias de Natal começam a 17 de Dezembro e terminam a 4 de Janeiro de 2016.   

O segundo período dura até 18 de Março e as aulas são retomadas a 4 de Abril. O ano lectivo 2015/2016 termina entre 3 e 9 de Junho.

Esquerda exige explicações a Crato
Os grupos parlamentares do PCP e do Bloco de Esquerda (BE) já reagiram. Querem ouvir o ministro da Educação sobre o início do ano lectivo.

O PCP, segundo fonte do grupo parlamentar, vai apresentar um pedido potestativo (que não admite contestação) para ouvir Nuno Crato na comissão de Educação sobre a abertura e as condições do próximo ano lectivo.

Já o BE, num requerimento apresentado esta terça-feira, pede a presença urgente do ministro Nuno Crato, para prestar esclarecimentos sobre o que chama de atraso no início do próximo ano lectivo.

No requerimento o BE diz que quer ouvir Nuno Crato porque as aulas só começarem a 21 de Setembro e não a 15.

"Tendo em consideração o histórico de gestão da actual tutela nesta matéria considera o Bloco de Esquerda necessário que o Ministro preste esclarecimentos em sede parlamentar", diz o requerimento.

Pais contra atraso no arranque do ano lectivo
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap) recebe com “muita perplexidade” a proposta do Ministério da Educação de adiar o início do próximo ano lectivo.

Jorge Ascensão não consegue “perceber como é que uma medida dessas vai contribuir para a melhoria dos resultados”.

“Os nossos filhos chegam a casa e dizem que não há, sequer, uma aula para tirar dúvidas, porque os professores dizem que não têm tempo. Em menos tempo, mantendo os programas, o método e a forma de funcionar, não vemos como é que se possa dar uma resposta melhor para a aprendizagem.”

O presidente da Confap alerta também para a questão social: “Não vejo como é que as famílias que não possam pagar a instituições particulares, ATL e outras, as ocupações das férias, como é que vão poder cuidar e apoiar os seus filhos durante três meses”, questiona.

Filinto Lima, dirigente da Associação Nacional dos Directores de Agrupamentos  e Escolas Públicas (ANDAEP), diz que a situação pode ser ultrapassada pelas escolas.

“Penso que este período é exagerado e até um pouco tardio. Estou em crer que os directores das escolas, os conselhos pedagógicos, optaram por dar início às aulas  no próximo ano lectivo logo nos primeiros dias, 15 ou 16 [de Setembro], e o problema ficará resolvido”, sublinha.

Bem mais grave, para este representante dos directores de agrupamentos escolares é o facto de os exames do 4º e 6º anos continuarem a ser feitos em Maio, em pleno ano lectivo,  obrigando à interrupção das aulas para os alunos dos outros anos.

[notícia actualizada às 23h43]