Portas antecipa "estatísticas boas para Portugal" no desemprego

05 nov, 2014 • Sandra Afonso

Vice-primeiro-ministro desvaloriza previsões mais pessimistas da Comissão Europeia.

Portas antecipa "estatísticas boas para Portugal" no desemprego

O vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, minimiza previsões da Comissão Europeia para a economia portuguesa e antecipa que vêm aí dados positivos do desemprego.

Em declarações feitas à margem de um comício, em Lisboa, para assinalar os 40 anos do CDS, Portas desvalorizou as previsões mais pessimistas e revelou que as estatísticas do desemprego estão a melhorar.

“Aí pelas 11h00 da manhã, sairão as estatísticas sobre o desemprego e vocês vão ver como essas estatísticas são boas para Portugal e surpreendem pela positiva alguns, possivelmente também algumas organizações internacionais”, declarou o líder centrista.

Paulo Portas argumenta que, “com a instabilidade que vai na economia mundial”, as “previsões são tão credíveis como as rectificações”.

“Eu já vi Portugal superar várias vezes organizações internacionais e as suas previsões. As nossas exportações cresceram mais do que alguns pensavam, a redução do desemprego em Portugal foi maior do que alguns pensavam, o combate à evasão fiscal teve melhores resultados do que alguns pensavam e também o impacto que o consumo tem no crescimento era subestimado por algumas organizações”, salientou.

A Comissão Europeia prevê que Portugal tenha um défice de 3,3% do PIB em 2015, acima dos 2,7% inscritos pelo Governo na proposta de Orçamento do Estado de 2015, o que, a concretizar-se, manterá o país sujeito a um procedimento de défice excessivo.

"JSD já não tem cartazes com a efigie de Marx"
Durante o discurso no Teatro São Luiz, em Lisboa, Paulo Portas defendeu que o CDS deve aspirar a ser "mais forte" para poder  governar "em tempos de crescimento económico" e reafirmou o "sentido de compromisso" do partido para o "diálogo político".

Paulo Portas cumpriu o papel de líder e voltou a lembrar o que separa o partido da oposição. “O CDS fez-se contra o PREC [Processo Revolucionário Em Curso] e contra as consequências negativas do PREC. No 25 de Abril não há filhos nem enteados, fez-se para todos, mas no PREC há uma fronteira. Nós queríamos um país democrático, europeu e próspero. Eles queriam um país totalitário, onde não houvesse nem liberdade para criar uma empresa, educar os filhos, de convicção religiosa, nem liberdade para construir um partido político”, argumentou.

António Lobo Xavier, uma das figuras mais conhecidas do partido, também subiu ao palco. Admitiu que, 40 anos depois da fundação, o CDS já não é o mesmo, mas respondeu aos críticos que nas últimas décadas todos os partidos mudaram.

“A JSD já não tem cartazes com a efigie de [Karl] Marx, a extrema esquerda mistura-se em petições e declarações com os burgueses mais conhecidos, o PS meteu o socialismo na gaveta, o PCP não quer a democracia popular, uma das pessoas que dirigia há 40 anos a manifestação contra nós chegou a presidente da Comissão Europeia e nós, uma espécie de predestinados mágicos, devíamos ficar na mesma. Não. Não era natural que ficássemos na mesma”, declarou Lobo Xavier no comício do São Luiz, no âmbito das comemorações dos 40 anos do partido.