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Street Gaming em Cantanhede. Jogar no ZX Spectrum chegava a ser “angustiante”

07 jun, 2023 - 20:50 • Hugo Monteiro

Vai ser possível jogar nas ruas, nas mais recentes consolas, nas máquinas “de meter a moeda” dos cafés e até no ZX Spectrum, o computador “que seduziu as pessoas para o novo mundo” dos videojogos, nos anos 80.

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O primeiro festival de Street Gaming de Cantanhede realiza-se de 9 a 11 de junho nas ruas da cidade.

“Ainda hoje, quando tenho uma cassete para carregar [no ZX Spectrum], o meu cérebro diz-me imediatamente que é tempo de ir lanchar. Porque eu habituei-me, na minha juventude, a que, enquanto o jogo estava a carregar, para não estar ali à espera, eu ia lanchar”. A memória é de João Diogo Ramos, o responsável pelo Museu Load ZX, de Cantanhede, e um dos organizadores do festival que decorre naquela cidade do distrito de Coimbra.

João Diogo Ramos lembra à Renascença que a sensação de jogar no ZX Spectrum “era um pouco de angústia, porque púnhamos o jogo a carregar e depois era quase preciso rezar para ver se a cassete entrava. Isto tinha a ver com a falta de qualidade das cassetes, porque havia muita pirataria”.

Há outros pormenores que quem jogou no Spectrum nos anos 80 se lembra, como “ter uma chave de fendas próximo do gravador para afinar a cabeça do aparelho”, recorda.

Era, portanto “um processo de tentativa e erro”, com a recompensa de ter “a grande experiência de poder interagir com a televisão e jogar. E é preciso recuar aos anos 80 para perceber o impacto que isso tinha, porque estamos a falar de uma época em que havia apenas dois canais de televisão e em que apenas consumíamos o que nos davam”, sublinha.

O ZX Spectrum é “um computador com um cunho português, porque muitos foram montados na Caparica”, explica João Ramos.

Foi “o primeiro contato de muitas pessoas com a nova tecnologia” e acabou por fazer “com que muitas pessoas seguissem carreiras no mundo da informática”. Por isso mesmo, é um das estrelas no festival de Street Gaming de Cantanhede.

Entre 9 e 11 de junho, nas ruas da cidade vai ser possível recordar como era jogar neste computador, ao mesmo tempo que se experimentam outras “máquinas”.

Vai ser possível jogar nas ruas, nas mais recentes consolas, nas máquinas “de meter a moeda” dos cafés e até no ZX Spectrum, o computador “que seduziu as pessoas para o novo mundo” dos videojogos, nos anos 80.

“O principal objetivo é por todas as pessoas a jogar. Tanto vai aparecer o ZX Spectrum, como o Commodore, como o Atari ou as consolas Mega Drive. Todas essas coisas que fizeram as delícias na época", diz o responsável.

"Vamos ter, ainda, máquinas arcade originais, ou seja, as máquinas de jogos do café, onde gastávamos as moedinhas. Mas vamos ter, também, a PlayStation 5. Vamos ter, ainda, PCs com jogos atuais - como o Fortnite e muitos outros. Vamos ter torneios de FIFA 23 e de Mortal Kombat11”, resume João Diogo Ramos.

O responsável pelo festival de Street Gaming espera que, “ao contrário do que é habitual, desta vez sejam os filhos a levar os pais” ao evento.

Um dia antes, na quinta-feira 8 de junho, vai ter lugar a 1ª conferência ZX Spectrum em Portugal, que conta com a participação de vários protagonistas que desempenharam um papel fundamental no sucesso daquele computador.

“Fomos buscar os líderes das empresas que nesta época contribuíram com a produção de periféricos, por exemplo, para se poderem utilizar joysticks nos computadores”, revela o responsável pelo Museu Load ZX.

“Houve uma indústria em Portugal” ligada ao Spectrum, e “há grandes empresas, que ainda existem, que nasceram” graças a esse computador “e que as pessoas nem sonham”, explica João Diogo Ramos.

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