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JMJ 2023. “Vai ser um evento único”

31 jul, 2022 - 09:11 • Ângela Roque

A um ano do encontro que vai reunir milhares de jovens com o Papa, em Lisboa, o secretário executivo da Jornada Mundial da Juventude conduz a Renascença numa “visita guiada” à sede da JMJ e ao terreno de 100 hectares que vai receber os peregrinos, e onde as obras já decorrem “a bom ritmo”.

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Ao todo “são à volta de 100 hectares de terreno. Foto: JMJ
Ao todo “são à volta de 100 hectares de terreno. Foto: JMJ
Foto: JMJ
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Duarte Ricciardi é o secretário executivo da JMJ. Foto: JMJ
Duarte Ricciardi é o secretário executivo da JMJ. Foto: JMJ

Desde fevereiro deste ano que o “quartel-general” da Jornada Mundial da Juventude de Lisboa 2023 está instalado na antiga Manutenção Militar, na zona do Beato. Foi lá que fomos recebidos por um dos responsáveis da estrutura organizadora da Jornada Mundial da Juventude.

Duarte Ricciardi é o secretário executivo da JMJ. Participou como peregrino nas jornadas de Madrid, em 2011, e de Cracóvia, em 2016. Diz que estar na organização deste próximo encontro com o Papa é “uma oportunidade única”, e enriquecedora, a todos os níveis.

Com formação em gestão, neste projeto tem aprendido a trabalhar de forma diferente de uma empresa. “É uma experiência de confiança. Começámos com poucos recursos e é interessante ver, como através da generosidade das pessoas, das empresas, do Estado e das autarquias, isto se vai construindo”, vai contando, à medida que nos conduz na visita guiada pelo edifício onde estão as direções das várias áreas necessárias à preparação da JMJ.

“O evento já está a ser preparado um bocadinho por todo o país, em todas as dioceses, e pelos nossos parceiros. A coordenação do Governo também está aqui no mesmo espaço, mas no edifício ao lado. Aqui neste estão as várias direções do Comité Organizador Local, nomeado pelo Patriarcado de Lisboa”, explica à Renascença. Diariamente passam por ali “30 a 40 pessoas que estão a trabalhar na Jornada. Já é a nossa a casa”. Mas, no total, são muito mais os envolvidos.

“Há cerca de 450 pessoas que estão a trabalhar, só na estrutura central, e há um número igual espalhado por todo o país, nas várias dioceses”, conta. O voluntariado vai ser sempre “uma parte muito importante”, mas há quem esteja a trabalhar na Jornada com outro tipo de vínculo. “Temos vários formatos, pessoas que trabalham como voluntários em part time, outros a tempo inteiro. Temos pessoas que são pagas pela Fundação JMJ, um pequeno grupo de pessoas contratadas, e também temos muitas parcerias, pessoas que estão cá cedidas pelas suas empresas, a que voltarão depois da Jornada”.

Sob as bandeiras de todo o mundo espalhadas pelos corredores de todo o edifício, Duarte Ricciardi vai mostrando o que já está a funcionar. “Temos aqui as finanças, muito importante. A secretaria geral, da qual faço parte, e que faz a coordenação e acompanhamento dos planos de ação das várias áreas e direções. Aqui a logística, a pastoral, a comunicação, o acolhimento aos peregrinos, e ali a direção de acolhimento e voluntariado, que gere os voluntários, tudo áreas muito importantes”.

No caso da pastoral e da logística, “têm mesmo de trabalhar em conjunto, sobretudo na preparação dos eventos, porque a pastoral é que define os conteúdos, o programa, e a logística prepara toda a parte prática”.

Na sala mais “polivalente”, diz Duarte Ricciardi, está “o gabinete de diálogo e proximidade, que trata das questões da inclusão e da sustentabilidade, que no fundo garante que cada direção se preocupa com esses temas, como a linguagem inclusiva, os acessos para as pessoas com deficiência”.

O diálogo ecuménico e inter-religioso também está assegurado, e há quem já esteja a preparar ‘Os dias das dioceses’, que vão ser “uma espécie de pré-Jornada”. De resto, a JMJ já “mexe” em todo o país. “A peregrinação dos símbolos está a ir de diocese em diocese, e vemos cada vez mais jovens envolvidos e já celebrações grandes, com muita festa. O Covid agora tem facilitado mais, no início havia muitas restrições”.

No segundo piso do edifício estão, sobretudo, os espaços comuns. Passamos pela capela - onde há missa todos os dias, às 12h30, e a parede do altar “foi pintada pelo nosso diretor financeiro” – e pelo refeitório, onde “praticamente todas as pessoas que aqui trabalham almoçam. É uma oportunidade de convívio”.

Cruzamo-nos com Ana Alves, diretora de comunicação da JMJ, que nos fala do “desafio enorme” que é organizar este “evento de cariz católico, mas que está aberto a todos, independentemente da sua religião”. E conta que para assinalar o ano que falta para a Jornada vai ser lançada uma campanha, que pode ser acompanhada nas redes sociais. “estamos YouTube, no Instagram e no Twitter. No Facebook temos 22 idiomas! Podem acompanhar aí todas as novidades”.

“Já dá para imaginar o palco”

Da sede da JMJ, seguimos até à Parque Tejo, perto da Ponte Vasco da Gama. É bem visível ao longe o cartaz gigante que anuncia a Jornada, em 2023. Conversámos junto ao rio Trancão, onde as máquinas não param, quer do lado de Loures, quer em Lisboa.

Duarte Ricciardi vem muitas vezes ao local das obras. “Gosto de ir vendo as coisas a materializarem-se”. Conta que o terreno já sofreu “alterações muito visíveis”, e fica satisfeito por perceber que do sítio onde falamos se verá bem o altar que vai ser construído do lado de Lisboa.

“Ali ao fundo vemos o local onde vai ficar o palco, estamos a uns 500 metros e vemos perfeitamente essa zona elevada, onde vai decorrer a missa e a vigília da Jornada Mundial da Juventude. Dá-nos muita alegria ver isto”, sublinha.

Ao todo “são à volta de 100 hectares de terreno, sendo que ainda estamos a afinar as limitações e os espaços que possam ser utilizados”. Mas, insiste, com satisfação: “é espetacular em termos de imagem. Os peregrinos vão estar em contacto visual com a água, a natureza, esta também é uma zona de nidificação dos pássaros. É uma zona muito bonita que está a ser reabilitada”.

O que ficará depois da JMJ, sublinha, “é um legado enorme para Loures e para Lisboa. São espaços que agora não estão a ser utilizados pela população e vão passar a ser parques públicos, aqui ao lado do rio, que vão poder ser usados por toda a gente”.

Duarte, que conhece bem o projeto, não tem dificuldade em imaginar o resultado final. E acredita que os prazos previstos vão ser cumpridos. “Quem faz as obras são as câmaras de Loures e de Lisboa, mas estamos com muita confiança que tudo estará pronto a tempo”.

“Estamos muito entusiasmados para receber todos os jovens e acreditamos que vai ser um momento único, mesmo dentro da história da Jornada, tendo em conta o momento atual que vivemos no mundo, com a Covid e agora a guerra”, sublinha ainda. E deixa um convite: “que todos se sintam convidados a vir”.

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