Europeias 2024

Catarina Martins critica "confusão" de Bugalho e "cinismo" do governo sobre a Palestina

28 mai, 2024 - 00:57 • Alexandre Abrantes Neves

Direitos das mulheres, Estado social e Palestina. O Bloco de Esquerda definiu prioridades no primeiro dia de campanha. Num jantar-comício em Sacavém, o partido recupera a estratégia das legislativas e volta a colocar direita e extrema-direita no mesmo saco. Pelo meio, Catarina Martins lamentou o "cinismo" do governo quanto à Palestina e ainda deixou críticas ao PS por "alinhar" nas regras de Bruxelas.

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Direitos das mulheres, Estado social e Palestina. BE define prioridades no primeiro dia de campanha
Reportagem de Alexandre Abrantes Neves. Catarina Martins criticou "confusão" de Bugalho e "cinismo" do governo quanto à Palestina. Foto: António Cotrim/Lusa

O primeiro dia de estrada do Bloco de Esquerda (BE) fica marcado pela definição das prioridades na campanha para as eleições europeias– com duras críticas à União Europeia e ao centro-direita quanto à política externa e aos direitos das mulheres.

O mote foi deixado pela cabeça de lista bloquista logo no primeiro jantar-comício desta campanha quando, numa escola em Sacavém no concelho de Loures, Catarina Martins reforçou que o “grande debate” destas eleições são os direitos das mulheres – principalmente numa altura em que a extrema-direita europeia está a crescer.

“Por exemplo, o [partido espanhol] Vox acha que as leis que protegem as Mulheres contra a violência de género devem ser um alvo a abater. A extrema-direita italiana acha que os anti-aborto devem ter ativistas nas clínicas a que as mulheres se dirigem quando querem fazer a interrupção voluntária da gravidez”, defendeu.

Exigindo “clareza” a todos os que se candidatam quanto aos direitos das mulheres, Catarina Martins aproveitou para deixar críticas a o cabeça de lista da AD, Sebastião Bugalho, que considerou que a discussão sobre o aborto “não é fácil”.

“Nós aqui estamos para dizer a Sebastião Bugalho que o direito à interrupção voluntária da gravidez não é uma questão difícil. É uma questão fácil e simples: ou as mulheres são respeitadas ou as mulheres não são respeitadas. Tudo o resto é confusão. Sebastião é só confusão”, comentou.

E seguindo a estratégia da coordenadora do BE, Mariana Mortágua, na campanha para as legislativas, Catarina Martins sugere que há pouca distância entre o centro-direita e a direita radical - nomeadamente, quando vê Ursula von der Leyen a não fechar a porta a acordos com os Conservadores e Reformistas Europeus, família europeia onde está o partido Fratelli d'Italia da primeira-ministra , Giorgia Meloni.

“Nós sabemos que este é o cinismo de quem se quer sentar ao lado da extrema-direita, com quem a sua candidata a presidente da Comissão Europeia já está a negociar. Quem se senta ao lado da extrema-direita não se levanta pelos direitos das mulheres”, acrescentou.

Direita e centro-direita "cada vez mais próximas"

Porém, não é só nos direitos das mulheres que o Bloco de Esquerda lamenta que “a direita alimente a extrema-direita”. Fabian Figueiredo, líder parlamentar do partido, coloca a direita toda no mesmo saco quanto à política económica europeia.

Trata-se sempre de dividir quem vive dos rendimentos do seu trabalho e de procurar criar divisões sociais para facilitar a vida da elite. Foi sempre assim e será sempre assim também. Por isso, foi possível ver o Chega nascer do PSD e daí compatibilizarem os programas económicos”, defendeu.

Por essa razão, Catarina Martins reforçou que a defesa do Estado social é também outra das prioridades para esta campanha – mas frisou que esta “conquista do 25 de Abril” pode estar em causa com as leis de governação económica europeias. Neste ponto, a candidata bloquista não limita as críticas à AD - estende-as aos socialistas e tenta destacar como o BE é a alternativa de esquerda a Bruxelas.

“Esta não é a única confusão da direita e eu diria até do PS. Foram aprovadas novas regras que retiram aos Estados-membros capacidade para investir onde é preciso, como os serviços públicos (...) Enquanto a dívida pública estiver acima dos 60% do PIB, a Comissão Europeia vai decidir como e onde é que Portugal gasta”, afirmou.

UE tem "postura cínica" com Palestina

Um dia antes da visita do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, a Portugal, Catarina Martins trouxe a Ucrânia ao discurso apenas uma vez ao discurso para lançar mais uma prioridade bloquista – lutar pela soberania da Palestina.

A cabeça de lista relembrou que a política externa da EU não pode ter “dois pesos e duas medidas” e sublinhar que “a autodeterminação da Ucrânia é tão importante como a autodeterminação da Palestina”.

E sobre o conflito no Médio Oriente, tanto Catarina Martins como Fabian Figueiredo são duros nas críticas que deixam à Europa. O líder parlamentar bloquista fala de “governos manchados de sangue palestiniano” e de líderes, como Emmanuel Macron e Ursula von der Leyen, que “dão mau nome à Europa e que são o rosto de uma política moral falida”.

Já Catarina Martins é rápida a encontrar a palavra a postura de Bruxelas e do governo português em ainda não terem reconhecido a soberania palestiniana: “cinismo”.

“Paulo Rangel resolveu dizer que nenhum governo fez tanto para reconhecer o Estado da Palestina, mas esqueceu-se de um pormenor: reconhecer o Estado da Palestina. [Também] é cinismo a União Europeia manter um acordo de associação quando Israel comete crimes de guerra, não cumpre nada do direito Internacional e está a fazer um genocídio em Gaza”, criticou.

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