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Montenegro, em modo trota-país, com os olhos nas autárquicas

09 set, 2022 - 06:00 • Susana Madureira Martins

A partir de segunda-feira, e durante uma semana, o líder do PSD vai estar no distrito de Viseu para percorrer os 24 concelhos. É o início de uma longa campanha pelo país para visitar um distrito por mês, incluindo as ilhas e comunidades. O objectivo de Luís Montenegro é preparar as eleições autárquicas de 2025, porque "as campanhas não se ganham no período oficial"

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"Tenho consciência que preciso que as pessoas me conheçam melhor". Não sendo deputado à Assembleia da República, Luís Montenegro sabe que tem de pedalar para se consolidar como líder da oposição ao Governo do PS.

Não sendo deputado, o líder do PSD admite, em conversa com os jornalistas, incluindo a Renascença, que tem todo o tempo para andar pelo país em "contacto de proximidade" com as populações. E é o que promete fazer a partir de segunda-feira.

Durante toda a próxima semana, e até domingo, Montenegro inicia um périplo pelos 24 concelhos de Viseu e o mesmo vai acontecer ao longo dos próximos meses por todos os distritos do país, incluindo as ilhas e comunidades.

A volta começa num "distrito com uma grande tradição no PSD" e "politicamente importante" onde, de resto, Montenegro conquistou um resultado esmagador de 77% nas eleições diretas deste ano contra Jorge Moreira da Silva.

Ao estilo Olívia patroa, Olívia costureira, o líder do PSD arrendou uma casa em Viseu onde ficará instalado toda a semana, quer ir às compras e "ter uma vivência normal, jantar em casa". Assim os líderes concelhios e os autarcas o deixem, embora Montenegro garanta que "não tem jantares marcados".

O programa "Sentir Portugal em..." no fundo serve para Montenegro ganhar músculo eleitoral, aproximar-se dos pensionistas, das mulheres, sendo esta uma fatia gigante da população que o próprio líder partidário admite que progressivamente se foi afastando do PSD. A ordem é "restabelecer a ligação com os eleitores".

Montenegro não esconde que o grande objectivo desta volta nacional, que deverá durar mais de um ano, serve para "fazer uma radiografia autárquica, preparar as autárquicas" de 2025. Por essa altura já terão existido novas eleições directas no partido, mas o líder social-democrata diz-se convencido que "a comissão política será a mesma". De qualquer maneira quer "deixar tudo preparado".

O remoque a Rio: "Não estou convencido que o poder nos caia no colo"

O próximo ciclo eleitoral começa com as eleições regionais da Madeira em 2023, onde Miguel Albuquerque, apoiante de Montenegro, perdeu a maioria absoluta em 2019, e com as europeias de 2024.

As autárquicas de 2025 são a grande aposta para o líder do PSD que assume que historicamente o PSD nunca teve "um período de oposição tão longo" em que o partido perdeu "eleições atrás de eleições". Deixando um aviso interno que "se o PSD não tiver capacidade de perceber isso os resultados não podem ser diferentes".

Ao contrário de Rui Rio que, em 2018, iniciou o consulado à frente do PSD a dizer ao grupo parlamentar que "as eleições não se ganham, perdem-se", nessa paciente espera que o PS caísse de podre e em desgraça eleitoral, Luís Montenegro diz que não está "convencido que o poder nos caia no colo".

A direção nacional social-democrata quer outro tipo de paciência, uma que não seja passiva e à espera que algo corra mal ao PS. A caminhada é dada como longa pelos dirigentes nacionais e a fasquia é alta: "o PSD quer ser maioritário".

O corte com a era Rio quer-se radical e é assumido no PSD que "se queremos ganhar não vamos ter as mesmas ações". É mais do que óbvio o remoque ao ex-líder e ao mandato de quatro anos em que o partido foi de perda em perda eleitoral.

O regresso à Quinta da Granja

O que Montenegro vai fazer agora em Viseu e depois pelos restantes distritos do país "não é uma pré-campanha, são acções políticas", garante o próprio. Até porque, entretanto, torna-se óbvio que o aparelho partidário também precisa de atenção no terreno. "É um trabalho de formiguinha", resume o líder social-democrata.

"Não acho que se ganhem ou percam eleições no período de campanha oficial". É também assim que Montenegro explica o 'road show' pelos distritos. Ele, que não se recorda de alguma vez um líder partidário ter optado por um modelo destes, ressalvando que também "não quer "ter uma medalha de originalidade".

Trata-se de "sentir no terreno a comunidade em geral, as empresas, as pessoas, os municípios, compreendê-los", num "contacto de proximidade" com o país, que "depois pode transformar-se em iniciativas legislativas" no Parlamento.

Montenegro vai agora a um distrito"com grande diversidade, das portas do Douro até Coimbra" e que "não tem um problema de interioridade, é um fenómeno pouco estudado, tem combatido o êxodo", e onde tem marcados encontros com os bispos de Lamego e Viseu.

Uma semana que vai dar para quase tudo, até para realizar a reunião da comissão permanente, na segunda-feira, em Nelas, e assistir à Assembleia distrital do PSD. Aliás, irá estar sempre acompanhado por um dos mais fiéis apoiantes, Pedro Alves, o líder da distrital de Viseu e coordenador autárquico do partido.

Montenegro faz questão de referir que tem raízes precisamente no distrito de Viseu, onde vive a mãe numa quinta da família - a Quinta da Granja - e onde o líder do PSD se entretinha até ser eleito líder do PSD a ajudar na produção de vinho com "quatro castas autóctones". Agora, admite já não ter tempo.

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