Madeira ao rubro. Eleições de domingo vistas como as mais importantes de sempre

20 set, 2019 - 09:38 • Olímpia Mairos

Ataques, acusações, desejos de mudança e necessidade de estabilidade marcam a campanha eleitoral que termina esta noite.

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Os 16 partidos e uma coligação que disputam as eleições legislativas na Madeira, apostaram forte na campanha para o voto que se realiza dia 22 de setembro e elege 47 lugares no Parlamento regional.

O material de campanha está espalhado por toda a ilha, nos diferentes concelhos, quase sempre em rotundas. Já no Funchal, os partidos apostaram nas várias pontes que atravessam a cidade e na parte central da marginal para colocar a propaganda.

O apelo ao voto, esse tem surgido em comícios, PSD e PS, mas, sobretudo, no contacto pessoal, porta a porta, pessoa a pessoa. De um lado o Partido Social Democrata, no poder há 43 anos, a apelar à estabilidade política; do outro a oposição, a reclamar mudança. Não têm faltado ataques pessoais, acusações e até acenos de cenários mais ou menos trágicos. Numa coisa todos os partidos parecem concordar: nenhum voto se pode perder, porque em causa está o futuro da Madeira.

A população, essa, tem alguma dificuldade em se manifestar. Exceção, obviamente, para os que integram as comitivas e participam em ações de campanha.

Com as eleições à porta, Edgar, de 52 anos, já sabe em quem vai votar e vai fazê-lo porque “estas são as eleições mais importantes de sempre”.

Para este funchalense, o próximo Governo, seja ele qual for, deverá apostar em “melhores transportes marítimos e aéreos, porque a Madeira é essencialmente turismo, e registam-se todos os dias problemas no aeroporto e não temos um ferry todo a ano”.

Já Pedro Costa, de 50 anos, defende que “é preciso melhorar a saúde e aumentar o ordenado mínimo”.

Paulo Silva, 22 anos, desempregado, não vai votar, argumentando que “não vale a pena. Eles são todos iguais. Só querem é tacho”. Enquanto Gil Ganha, que está por perto, defende que o voto é muito importante para as pessoas se “libertarem do garrote e da corda que pode enforcar o povo”.

Também Eduardo Augusto, 35 anos, vai votar porque quer “decidir o futuro da Madeira”. Se chegasse ao Governo Regional, o que não vai acontecer porque não é candidato, promoveria “mais emprego e arrendamento jovem”, para “evitar que os jovens”, como ele, “tenham que emigrar”.

Sentadas no patamar de uma porta, Maria da Conceição e Antónia Josefa, trocam impressões sobre a campanha que está a terminar. “Isto foi tudo muito feio, só acusações de um lado e de outro”, dizem entre si. Entramos na conversa e registamos o desagrado destas setuagenárias com “a imagem que foi passada da Madeira”.

“Já viu? Isto foi uma vergonha. A Madeira é tão bonita e em vez de dizerem que vão tornar isto ainda mais bonito e mais desenvolvido passaram o tempo a falar mal uns dos outros”, lamenta Antónia. Também Conceição manifesta tristeza com a “falta de propostas concretas para desenvolver a região”.

As duas amigas concordam que a Madeira tem que “continuar a crescer e não pode perder a autonomia”, porque “é fundamental não ficar vergada ao continente”.

Para a votação de dia 22, estão inscritos 257.758 eleitores, dos quais 252.606 na ilha da Madeira e 5.152 na ilha de Porto Santo, que vão escolher os 47 deputados à Assembleia Legislativa da Região Autónoma da Madeira para os próximos quatro anos.

De acordo com os resultados das eleições, o Representante da República nomeia, depois, o presidente do Governo Regional que, por sua vez, propõe os membros do executivo.

As eleições legislativas da Madeira decorrem no domingo, com 16 partidos e uma coligação a disputar os 47 lugares no parlamento regional.

PDR, CHEGA, PNR, BE, PS, PAN, Aliança, Partido da Terra-MPT, PCTP/MRPP, PPD/PSD, Iniciativa Liberal, PTP, PURP, CDS-PP, CDU (PCP/PEV), JPP e RIR são as 17 candidaturas validadas para o sufrágio, com um círculo eleitoral único.

Em 2015, nas anteriores eleições, o histórico líder regional Alberto João Jardim (PSD) passou o testemunho a Miguel Albuquerque, mantendo-se a governação social-democrata no arquipélago iniciada em 1976, nas primeiras eleições livres.

Há quatro anos, os social-democratas seguraram a maioria absoluta - com que sempre governaram a Madeira - por um deputado, com 24 dos 47 parlamentares.

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