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Menos fome, bullying e solidão: alunos portugueses no topo no bem-estar na OCDE

05 dez, 2023 - 10:00 • Salomé Esteves

Na avaliação dos alunos da OCDE, os conhecimentos dos portugueses estão a meio da tabela, mas na resiliência e bem-estar, Portugal destaca-se. Os alunos portugueses estão entre os que passam menos fome, se sentem menos sozinhos e menos sofrem de bullying.

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As classificações dos alunos portugueses a matemática, leitura e ciências estão alinhadas com a média da OCDE, mas no bem-estar, Portugal destaca-se.

Segundo o inquérito feito aos estudantes e aos diretores das escolas, Portugal faz parte dos 15 países que o PISA (programa internacional para a avaliação dos alunos) destacou como “resilientes no bem-estar". Estas questões baseiam-se na perceção dos alunos sobre as suas próprias experiências.

Portugal é o país da OCDE menos alunos não deixaram de comer por necessidades económicas. Segundo o questionário aos estudantes, 97% deles não teve de saltar nenhuma refeição ou passar fome.

Nesta questão, os portugueses estão imediatamente à frente dos finlandeses ou dos islandeses, por exemplo, e a média da OCDE é de 92%.

Cerca de 1% não comeu pelo menos uma refeição todos os dias ou quase todos os dias e a cerca de 1% acontece o mesmo pelo menos uma vez por semana.

Apesar de este indicador ser positivo, os resultados também mostram que nem sempre os alunos de contextos desfavorecidos conseguem obter os melhores resultados. Na resiliência do contexto socioeconómico face aos resultados a Matemática, Portugal está abaixo da média da OCDE.

No conjunto dos países, 10% destes estudantes conseguiram atingir os melhores resultados no seu país, mas em Portugal, a percentagem fixa-se nos 9%.

O envolvimento dos pais no ambiente escolar também é uma das perguntas avaliadas pelo programa. Do lado dos alunos, Portugal está bastante acima da média da OCDE, já que cerca de 84% respondeu que os pais os questionam uma ou duas vezes por semana sobre a vida na escola. Nesta questão, os portugueses são apenas ultrapassados pela Irlanda.

Mas os diretores das escolas mostraram uma opinião diferente. Segundo estes, 70% dos encarregados de educação recebem informações sobre a performance dos seus filhos, pelo menos uma vez por mês.

Portugal cai de 2.º para 35.º lugar no envolvimento dos pais na vida escolar, dependendo da perspetiva do aluno ou da direção.

Ao olhar para o relacionamento dos alunos com os colegas, Portugal também se destaca. É o 6.º país com menos percentagem de crianças vítimas de bullying frequente. Enquanto a média na OCDE é de 8.3%, apenas 5,3% dos estudantes portugueses inquiridos se identificam com esta situação. Outros países europeus, como a Itália, a Espanha ou a Alemanha apresentam respostas semelhantes.

Contudo, cerca de 14% dos alunos portugueses confessou ser vítima de bullying pelo menos uma vez por mês. Este valor continua abaixo da média da OCDE, de 20%. Em contraste, 91% dos estudantes responderam que nunca foram ameaçados por colegas.

O PISA também analisou a solidão percebida dos alunos. Nesta questão, Portugal é o 4.º país da OCDE com a percentagem mais baixa, aos 17.5%, atrás da Coreia do Sul, dos Países Baixos e do Japão.

Esta realidade, em que quase um quinto dos alunos se sente sozinho, é contrastante com a média da OCDE, 27% ou do Brasil, por exemplo, em que a percentagem sobre para os 45%.

No grupos dos 15 países resilientes no bem-estar em que Portugal se enquadra, também se encontram outros países europeus como a Áustria, a Finlândia ou França. Contudo, também se destaca a presença da Arábia Saudita, cuja lei da tutela estabelecida em 2022 reforça diferenças legais entre raparigas e rapazes e tem consequências do seu acesso à educação, principalmente quando considerados casamentos antes dos 18 anos.

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