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Covid-19

Aglomerados nos transportes públicos em plena quinta vaga preocupam passageiros

18 nov, 2021 - 23:00 • Sofia Freitas Moreira e João Malheiro

Falta de espaço para cumprir o distanciamento público começa a preocupar os passageiros diários dos comboios, metros e autocarros do país. A Renascença falou com utentes do Porto e de Lisboa, numa altura em que a pandemia entra na quinta vaga de infeções.

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Numa altura em que os casos de Covid-19 continuam a aumentar, o respeito pelo distanciamento social nos transportes públicos começa a parecer impossível e a suscitar nervosismo entre os passageiros.

De Norte a Sul do país, seja de autocarro, metro ou comboio, as preocupações vão-se repetindo. A Renascença saiu às ruas do Porto e de Lisboa, em plena hora de ponta, para tentar perceber o que inquieta os utentes destes transportes.

Lisboa. “É bastante difícil sentirmo-nos seguros”

Em Lisboa, a Renascença percorreu parte da linha que liga a estação do Oriente a Sintra, esta quinta-feira ao final da tarde.

Localizada numa zona crucial da capital, com várias ligações para outros pontos, a estação de comboios de Entrecampos, em pleno coração de Lisboa, enche-se de pessoas de manhã à noite.

O sentimento de segurança dentro do comboio tem diminuído à medida que as infeções por Covid-19 voltam a aumentar. “Honestamente, não me sinto segura. Nota-se que existe demasiada gente nos transportes”, conta a administrativa Natacha Almeida, enquanto aguarda pelo comboio para regressar a casa ao final de mais um dia de trabalho.

“Acho que deveria existir, outra vez, um aumento das carruagens, mais comboios para podermos espaçar as pessoas, porque é demasiada gente ao mesmo tempo”, reforça a jovem.

A opinião é partilhada por Vasco Castro, outro jovem que defende o reforço dos horários dos comboios. “Acho que é bastante difícil sentirmo-nos seguros, porque, inevitavelmente, os comboios estão sempre cheios”, relata o estudante.

“Se calhar devíamos reforçar os transportes públicos, mas até que ponto é que conseguimos fazer isso? Temos investimento para isso?”, questiona, antes de correr para o comboio que já tinha chegado à estação.

Apesar de também se sentir em parte inseguro, Carlos Varela acredita que, por esta altura, as pessoas já se encontram mais conscientes dos perigos que a Covid-19 acarreta. “Enquanto apelarem sempre ao uso das máscaras e ao distanciamento das pessoas, acredito que vamos deixar que as coisas sejam melhores no futuro”, explica.

“Temos visto que, a cada dia que passa, [os casos] têm aumentado, e a prevenção para mim é a melhor coisa que podemos fazer. Sendo transportes públicos, também seria inevitável, porque sabemos que quase todos nós dependemos dessa mobilidade pública”, insiste ainda o pedreiro natural de Lisboa.

Um pouco mais à frente, ainda na estação de Entrecampos, duas estudantes trajadas aguardam pelo comboio para voltarem para casa no final de um dia de aulas.

Rita e Vanessa acreditam que mais medidas deveriam ser tomadas relativamente aos transportes públicos, mas, ao mesmo tempo, admitem não querer regressar ao passado.

“Eu acredito que, dado o aumento dos casos, deveriam ser tomadas certas medidas, porque os transportes vêm a abarrotar”, começa por dizer Rita. “Neste momento, ainda não me sinto desconfortável ao ponto de me afastar das pessoas. Continuo a sentar-me nos bancos, mesmo que tenha três ou quatro pessoas. Mas também porque tenho a vacina e há sempre aquela segurança”.

A amiga Vanessa partilha da mesma opinião. “Não estou colada às pessoas, tenho a minha máscara e também acho que temos de começar a pensar em querer voltar à normalidade e em não querermos ficar agarrados a isto do Covid. Estarmos a abrandar acho que não seria assim tão vantajoso”.

As estudantes defendem, no entanto, que as melhorias nos transportes deveriam ocorrer mesmo fora de uma situação pandémica. “As medidas têm que ser tomadas no sentido de melhorar os transportes, haver mais, que deem para mais pessoas. De manhã, eu chego e tenho de ficar à porta. O próprio movimento dentro dos transportes acaba por ser complicado”, finaliza Rita.

No Porto, “há proximidade a mais”

Da Trindade a Santo Ovídio, o cenário repete-se, em praticamente todas as paragens. Em horas de ponta, as pessoas até tentam manter a (pouca) distância possível, enquanto aguardam pelo seu transporte.

No entanto, quando chegam os respetivos metros ou autocarros, é inevitável aglomerarem-se, por vezes completamente apertados, dentro dos transportes, sem possibilidade de praticarem o distanciamento sanitário.

Isabel Almeida, passageira frequente do Metro do Porto, indica que o transporte “quer de manhã, quer ao final do dia, é caótico”.

“As pessoas usam máscara, mas o distanciamento é impossível. Não me sinto segura nem no metro, nem nas estações”, conta, à Renascença.

Mário Tavares, que utiliza os autocarros que passam na Avenida da República, em Vila Nova de Gaia, relata que há “pessoas aglomeradas acima da conjuntura ideal da pandemia”.

“Há proximidade a mais. Não me sinto muito seguro nos transportes públicos”, admite, também à Renascença.

Esta sexta-feira, há nova reunião no Infarmed, para discutir os próximos passos do combate à quinta vaga da pandemia.

Questionados sobre se a resposta pode passar por uma restrição relativa ao número de passageiros em transportes coletivos, as opiniões não são unânimes.

Isabel Almeida responde na afirmativa, porque “se isto está a aumentar tem de ser. Senão vamos voltar à estaca zero”.

Por outro lado, Mário Tavares pensa que a solução não está em restringir os passageiros, mas aumentar a oferta de transportes.

“As empresas de transportes devem criar as circunstâncias adequadas. Neste momento, é insuficiente dado à necessidade das pessoas que têm de ir trabalhar. Têm de se sujeitar ao que há”, considera.

Nas últimas 24 horas, Portugal registou mais 12 mortos e 2.398 infetados com Covid-19. O número de internados continua a aumentar, mas não nos cuidados intensivos. Há neste momento 523 pessoas internadas com Covid nos hospitais portugueses, mais nove do que ontem, dos quais 72 em cuidados intensivos (menos três do que ontem).

O número de ativos voltou a subir e está agora acima dos 41 mil (41.135).

Desde o início da pandemia, Portugal registou 1.115.080 casos da doença, dos quais 18.295 morreram e 1.055.650 conseguiram recuperar.

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