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Guerra Israel-Hamas

"Chorámos quando vimos as imagens da Faixa de Gaza". Manifestação junta pró-palestinianos em Lisboa

29 out, 2023 - 23:17 • Alexandre Abrantes Neves

Organização garante que mais de 1000 pessoas estiveram presentes no protesto. Pediam a responsabilização de Israel pelos crimes de guerra e a libertação imediata do povo palestiniano.

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Reportagem Alexandre Abrantes Neves Manifestação Pró-Palestina

“Não tenho medo porque há crianças na Faixa de Gaza que podem morrer e também não têm medo”. A frase é de Brakhim, jovem iraquiano de 16 anos que vive em Portugal desde o início da adolescência. Fala à Renascença enquanto está na primeira fila da marcha pró-palestina que decorreu esta tarde entre a Praça do Martim Moniz e os Paços do Concelho, em Lisboa. Nas mãos, segura um cartaz: “Fim à ocupação!”. Na voz, leva o desânimo de quem duvida que o conflito possa acabar em breve.

“Sinto-me triste, e até embaraçado, por nenhuma organização internacional, nem nenhum poder político no mundo inteiro conseguir acabar com a guerra. Eu não sou palestiniano, mas estou solidário com todo o mundo islâmico. E acho que há muitas pessoas que não percebem a gravidade dos atos de Israel”, explica Brakhim, enquanto pega numa bandeira palestiniana que trazia na mochila.

Carlos Carvalho também apoia a causa palestiniana há várias décadas: “é uma luta sem fim, por um Estado viável na Palestina que a população merece”. E, apesar de estar “preocupado” com a situação na Faixa de Gaza, não está surpreendido: “Israel faz o que quer desde os anos 1960 e, principalmente, porque tem apoio internacional para isso”.

Carlos diz ainda que, mesmo que Israel precisasse de defender a sua existência – como afirmou o primeiro-ministro israelita ontem –, nada justifica “cortar todos os acessos e arranjar forma de matar pessoas à fome e sem medicamentos”. O manifestante não hesita, por isso, em dizer que Israel cometeu crimes de guerra na Faixa de Gaza, “nem que seja porque estão a atacar um povo que não tem a mesma força militar, nem sequer uma aproximada”.

“Quem não consegue estudar não se consegue emancipar”

A chuva também não afastou Carolina Silva. É estudante universitária em Lisboa, está “solidária com um povo que sofre um genocídio há cerca de 60 anos” e mostra-se preocupada com todos aqueles que não conseguem ir à escola ou à faculdade na Faixa de Gaza.

“Quem não consegue estudar não se consegue emancipar. Este é um pressuposto base de qualquer povo. Todos os interesses que estão por detrás desta guerra – e que apresentam uma narrativa distorcida há décadas – só vêm prolongar estas guerras que não beneficiam ninguém”, diz Carolina à Renascença, enquanto pousa o megafone e olha para a multidão que está para trás. Sente-se “orgulhosa” por ver tantos que “não usam o dia 7 de outubro como forma de esquecer a opressão de anos pelas forças israelitas” e que continuam a lutar contra o “apagamento de um povo”.

Francelina Bibi é rápida a contar a razão que a fez juntar-se à manifestação: a luta pela paz. Olha para o protesto como uma forma de “reforçar as denúncias do mal que está a acontecer” e tem uma esperança: que a intensificação do conflito aumente a solidariedade não só com os palestinianos, mas com todos os povos à volta de Israel.

“Eu própria, durante muitos anos, não sabia o que se estava a passar no Médio Oriente. Só agora é que me apercebi de muitos detalhes e me consigo colocar na pele daquelas pessoas. Espero que os protestos, daqui para a frente, tenham muito mais adesão.”

Apenas alguns metros à frente brincam dois irmãos palestinianos. Chegaram a Lisboa há menos de um ano e, apesar de já estarem na escola primária, ainda não falam português. Vieram com os pais à manifestação para “lutar contra a maldade de todos aqueles que estão a fazer mal ao nosso país” e porque querem “fazer com o que o mundo aos poucos e poucos se vá apercebendo do que já sofremos”.

Quando lhes perguntamos se já viram imagens do que se passa na Faixa de Gaza, são rápidos a responder: “claro, não conseguimos fugir e é muito triste. Chorámos”.

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