Copernicus

Última semana foi a mais quente na Terra desde que há registo. E o calor vai continuar

12 jul, 2023 - 16:09 • Diogo Camilo

Aquecimento global, início do Verão no hemisfério Norte e fenómeno El Niño explicam temperaturas não vistas há mais de 100 mil anos, segundo dados do Copernicus. Na Sibéria, os termómetros chegaram aos 40ºC, nos Alpes ultrapassaram os 35ºC.

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A vaga de calor mundial está a atingir números impressionantes e sem precedentes. Os últimos oito dias foram os mais quentes na Terra dos últimos 100 mil anos, ultrapassando pela primeira vez os 17 graus Celsius de temperatura média à superfície.

Segundo dados preliminares do Serviço de Monitorização de Alterações Climáticas do Copernicus, e depois do mês de junho mais quente desde que há registo, foi registada a temperatura da água mais quente de sempre e um recorde negativo de gelo na Antártida.

Até esta semana, os dias mais quentes tinham sido 13 de agosto de 2016 e 24 de julho de 2022, com uma temperatura média de 16,92ºC. Esta foi ultrapassada na passada terça-feira quando, pela primeira vez, a Terra registou uma temperatura média acima dos 17 graus Celsius.

Desde então, e nos últimos oito dias, a temperatura média da Terra tem estado sempre acima desta barreira, o que faz com que estes sejam os dias mais quentes desde 1940, com dados preliminares a apontarem que não se havia temperaturas tão quentes na Terra desde o último período interglacial, que ocorreu há mais de 100 mil anos.

O dia com a temperatura mais alta da última semana foi a passada quinta-feira, dia 6 de julho, com 17,23ºC, seguida de sexta-feira, 7 de julho, com 17,20ºC.

Ontem, terça-feira, a temperatura média na superfície da Terra foi de 17,08ºC, fazendo deste o 7.º dia mais quente desde que há registo.

O sistema que regista estas temperaturas só é usado desde 1979, mas os cientistas conseguem estimar as médias de temperaturas na Terra até dezenas e centenas de milhares de anos atrás.

Temperatura do solo ultrapassa 60ºC em Espanha

A confirmação de que a última semana foi a mais quente desde que há registo foi dada pela ONU e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) na segunda-feira, com especialistas a indicarem que este recorde pode aumentar várias vezes este ano.

A combinação do aquecimento global com o surgimento do El Niño, que deverá aumentar ainda mais o calor que se faz sentir, e o início do Verão no hemisfério Norte tem levado ao aumento de temperaturas nesta altura do ano.

A passagem do El Niño, segundo a OMM, deverá fazer subir as temperaturas médias do planeta nos próximos nove a 12 meses, o que aproxima 2023 do ano mais quente de sempre até agora, o de 2016.

Em junho, uma análise da Berkeley Earth apontava 81% de probabilidade de este ano se tornar o mais quente desde que há registo. Depois dos primeiros dias de julho terem sido os mais quentes do planeta em muito tempo, a probabilidade terá subido muito.

Robert Rohde, o cientista chefe da organização, aponta que haverá dias mais quentes do que estes nas próximas seis semanas.

Na Sibéria, foram registadas esta quarta-feira temperaturas acima dos 40ºC em Ecaterimburgo e uma temperatura mínima acima dos 25ºC, ambos recordes numa das zonas mais frias do mundo.

Nos Alpes suíços e austríacos, também foram batidos recordes de temperaturas: na terça-feira, na região de Vorarlberg, na Áustria, os termómetros chegaram aos 37,7ºC, fazendo deste o segundo dia mais quente na história da região.

Também ontem, em Espanha, as temperaturas da superfície do solo chegaram aos 60ºC na região da Estremadura, com as máximas a chegarem aos 43ºC em algumas zonas do país, como Teruel, Albacete e Saragoça.

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