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Rei Carlos III. O ambientalista rebelde que casou com Diana, apesar de amar Camila

10 set, 2022 - 08:30 • Pedro Valente Lima , João Malheiro com Agência Reuters

Príncipe grande parte da vida, assume a coroa britânica aos 73 anos. Uma figura sempre controversa e que nunca capturou o carinho do povo inglês, Carlos III ascende ao trono com a mulher que sempre amou, mas não a primeira com quem casou. É um ambientalista convicto que gosta de falar mais com as plantas do que com a imprensa. A Renascença traça o perfil do novo rei de Inglaterra.

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A morte da rainha Isabel II, esta quinta-feira, acabou com uma espera de mais de sete décadas. O príncipe passa a rei e ganha um novo prefixo: Sua Majestade, o rei Carlos III. Aos 73 anos, torna-se no herdeiro mais velho a assumir o trono do Reino Unido.

Ao longo da sua vida, Carlos foi sendo visto como um "desbocado", que ameaçava interferir na política das ilhas britânicas. Apaixonado pelas causas sociais e ambientais por um lado, mas marcado pelos desamores por outro, acabaria por não ter uma imagem tão favorável junto do público e da comunicação social.

Mas afinal, quem é o rei Carlos III?

Carlos Filipe Artur Jorge nasceu a 14 de novembro de 1948 e foi o primeiro de quatro filhos do casamento entre a rainha Isabel II e o príncipe Filipe. Com apenas três anos, em 1952, tornar-se-ia herdeiro do trono britânico, no momento em que a sua mãe assumia o cargo de rainha, aos 26 anos.

A sua infância e juventude foi relativamente diferente da de outros monarcas da família real britânica. Em vez dos tutores privados, a educação de Carlos III passaria pela escola primária de Hill House, em Londres, e por um internato em Cheam School, em Berkshire.

Mais adiante viria a frequentar outro colégio com internato, Gordonstoun, na Escócia, onde o seu pai também estudou. No entanto, a experiência de Carlos foi tudo menos agradável, tendo sofrido bullying. "Foi uma sentença de prisão", confessava.

Carlos III tornou-se ainda no primeiro herdeiro britânico com formação superior. Na Universidade de Cambridge, estudou Arqueologia, Antropologia e História. Na mesma altura, Carlos havia sido coroado Príncipe de Gales.

Viria a concluir a sua formação com um bacharelato em Artes, no ano de 1970.

Apesar do rumo distinto que a sua educação levou, um ano depois, Carlos viria a cumprir com a tradição real, alistando-se nas Forças Armadas, mais concretamente, na Força Aérea real (RAF, na sigla inglesa). Mais tarde, passaria ainda pela Marinha, alcançando o posto de comandante do navio de guerra HMS Bronington.

Carlos III terminaria o serviço militar cinco anos depois, em 1976.

Rei Carlos III saudado por milhares de pessoas à chegada a Buckingham
Rei Carlos III saudado por milhares de pessoas à chegada a Buckingham

Casado com Diana, apaixonado por Camila

A grande mancha na vida pública do novo rei de Inglaterra é, até hoje, o seu casamento tumultuoso com a princesa Diana. O matrimónio foi celebrado em 1981, numa transmissão televisiva que foi vista por mais de 750 milhões de pessoas, em todo o mundo.

Dois filhos resultaram do casamento - o príncipe William, em 1982, e o príncipe Harry, em 1984. Se tudo parecia bem em público, nos bastidores a relação não era a melhor e deteriorou-se continuadamente, ao longo dos anos. A atual rainha Consorte, Camila Parker Bowles, foi desde sempre a grande paixão de Carlos III e os casamentos de ambos sofreram por isso.

Carlos III negou sempre ter traído Diana antes do casamento "ter colapsado irremediavelmente", mas a princesa chegou a dizer, numa entrevista televisiva, que "havia três no casamento".

Carlos III divorciou-se de Diana em 1996 e, um ano depois, a "princesa do povo" morreu num acidente de carro. A morte abalou a nação britânica e o mundo, mas por entre o luto da perda, também houve muito ódio a Carlos III e à família real, pela forma como alegadamente tinham tratado Diana.

Com o passar do tempo, os sentimentos mais azedos do casamento atribulado aliviaram e Carlos III recuperou alguma da sua popularidade. Em 2005, casou com Camila, que ainda hoje é uma figura polarizante no Reino Unido, mas mais aceitada do que nos anos 90.

O rebelde que fala com as plantas

Não foi só a vida pessoal do novo rei que produziu muitas manchetes. As opiniões controversas e desinibidas do monarca também atraíram a imprensa, com quem tinha um relacionamento negativo.

As "malditas pessoas" dos média registaram as visões ambientalistas que durante décadas não eram levadas a sério pelos grandes líderes políticos, mas também gozaram com o hábito que o então príncipe tinha para "falar com plantas", enquanto praticava jardinagem.

Em entrevistas, Carlos III sempre recusou restringir os seus pensamentos, apesar do Reino Unido ter uma tradição não oficial de que a família real não se deve intrometer na política. Por isso, foi sempre visto como "um rebelde desbocado" por analistas.

A mãe, rainha Isabel II, foi sempre notoriamente neutra em questões políticas, com o antigo primeiro-ministro Tony Blair a admitir que "não fazia ideia" das visões ideológicas da monarca, mesmo tendo liderado o Governo durante dez anos.

No entanto, os seus apoiantes realçam que o tempo acabou por dar razão ao novo rei, na emergência climática. A sua preocupação pelos mais pobres refletiu-se na criação de uma instituição de caridade, "O Fundo do Príncipe", durante um período marcado por revoltas populares e um nível elevado de desemprego, nos anos 70. A instituição já ajudou mais de um milhão de pessoas.

Há também quem destaque a diligência interminável a cumprir as suas funções e a tratar de burocracia, tendo sido sempre um príncipe com vontade de trabalhar.

Morreu Isabel II, uma Rainha que enfrentou crises e mudanças históricas
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E agora, como rei?

Políticos e analistas temem que a irreverência do príncipe continue enquanto rei, contudo é o próprio Carlos III a garantir que tal não será assim e que terá de ajustar às responsabilidades do novo cargo.

"Esta ideia de que, de alguma forma, eu serei exatamente igual é ridícula. As duas situações são completamente diferentes", garantiu numa entrevista, em 2018.

E quando questionado se continuaria a fazer campanhas públicas pelas suas causas, o novo rei, na altura ainda príncipe, respondeu de forma simples e direta: "Não vou. Não sou assim tão estúpido".

Mas os políticos que, habitualmente, recebiam cartas de Carlos III sobre os mais variados temas temem que tal não seja assim.

Depois de uma rainha que fez sempre questão de se afastar da política, o Reino Unido tem hoje um monarca com um historial inverso. E apesar de prometer algum cuidado com as suas intervenções mediáticas, a partir de agora, a verdade é que Carlos III também disse que ainda encontra "demasiadas coisas que precisam de ser feitas ou de lutarmos por elas".

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  • Anónimo
    04 dez, 2022 Lisboa 16:01
    O ambientalista que viaja num jacto privado. Menos conversa, mais acção.

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